Trump anunciou em janeiro que vai deixar o Acordo de Paris (RS/Fotos Públicas) A presidência da COP-30, conferência climática da ONU, expressou preocupação nesta segunda-feira (10) sobre a possibilidade de os Estados Unidos abandonarem compromissos ambientais caso Donald Trump reassuma o governo. Representantes brasileiros do evento defenderam que cada país tenha autonomia na transição dos combustíveis fósseis. O presidente da COP-30, embaixador André Corrêa do Lago, e a diretora executiva, Ana Toni, discutiram a questão em uma coletiva de imprensa. Segundo Corrêa do Lago, é irreal acreditar que os países mais ricos, historicamente os maiores poluidores, irão financiar sozinhos a transição climática. Nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Corrêa do Lago e Ana Toni viajam este mês para reuniões internacionais e esperam que o setor privado e parte do governo americano mantenham os compromissos firmados no Acordo de Paris, mesmo que Trump tente reverter as metas. "Os Estados Unidos já deixaram o Acordo de Paris antes. Naquele momento, empresas e governos estaduais mantiveram seus compromissos. Esperamos que o mesmo aconteça agora", afirmou Ana Toni. Trump anunciou sua intenção de sair do Acordo de Paris em janeiro, mas a saída só será oficializada em 2026. Isso significa que, na COP-30, os EUA ainda terão participação nas negociações, o que gera incertezas sobre seu nível de envolvimento. Financiamento climático A COP-30 busca soluções para ampliar os recursos destinados ao combate às mudanças climáticas. O objetivo é aumentar o financiamento global de US\$ 300 bilhões para US\$ 1,3 trilhão até 2035. Segundo Corrêa do Lago, o Brasil e o Azerbaijão — sede da COP-29 — estão reunindo propostas para apresentar um relatório sobre o tema na conferência. No entanto, ele alertou que os países desenvolvidos nunca cumpriram sequer a meta anterior de destinar US\$ 100 bilhões anuais. "Não podemos esperar que esse valor venha apenas de doações dos países ricos. Precisamos envolver bancos multilaterais e o setor privado", explicou o embaixador. Combustíveis fósseis e divisão no governo Lula Na COP-28, realizada em Dubai, os países concordaram em reduzir o uso de combustíveis fósseis. No entanto, no Brasil, o tema ainda gera divergências dentro do governo Lula. O presidente apoia a exploração de petróleo na Margem Equatorial, perto da Amazônia, enquanto ambientalistas e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) se opõem. O Ibama tem demorado a conceder licença para a Petrobras iniciar as pesquisas, o que já foi criticado por Lula. Corrêa do Lago afirmou que a transição energética precisa respeitar a realidade de cada país. "Cada nação tem o direito de definir seu próprio ritmo de transição. Alguns ainda dependem mais do carvão, outros têm melhores condições para investir em energia solar ou eólica", disse o embaixador. A expectativa é que a COP-30, que será realizada em novembro, traga avanços concretos para alinhar as metas climáticas globais e garantir compromissos mais ambiciosos por parte dos países participantes.