[[legacy_image_155287]] Trancados no bunker - espaço construído embaixo da terra para resistir a bombardeios - de um hotel de Kiev, na Ucrânia, jogadores brasileiros que atuam no Shakthar Donestk e familiares têm vivido momentos de total desespero. Em contato por telefone com A Tribuna, o lateral-direito Dodô, o zagueiro Marlon e o meio-campista Maycon relatam angústia com a invasão do exército russo ao país e a incerteza com aquilo que eles definem como descaso do governo brasileiro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Revelado pelo Fluminense e no clube ucraniano desde 2018, Marlon, de 26 anos, conta que ele, os companheiros e os respectivos familiares estão perdendo as esperanças de sair do país antes do término do bombardeio russo. "Estamos no hotel, em Kiev, com a família e os companheiros de Shakthar. Já invadimos a madrugada e o máximo que conseguimos fazer é rezar. Estamos nessa tensão de conflito e perdendo as esperanças. Estamos literalmente desesperados. Quem mais tem nos dado apoio são as embaixadas de Portugal, França e Itália. Só não recebemos uma ordem oficial, um posicionamento da nossa embaixada, e isso é muito triste", conta o zagueiro com o tom de voz baixo em clara demonstração de medo. E esse sentimento é justificado pelas explosões que, segundo ele, começaram a ser ouvidas de dentro do hotel. "Hoje (nesta sexta-feira), principalmente". Junto de Marlon, Dodô fez questão de explicar que nenhuma alternativa para que eles possam sair da Ucrânia foi dada pelo governo brasileiro até o momento. O lateral-direito, que antes de chegar ao Shakhtar atuou no Coritiba, rebate a informação de que foram orientados pelas autoridades brasileiras a deixarem a Ucrânia por meio de um trem disponibilizado pela embaixada do Brasil. "Não estamos sendo assistidos pela embaixada brasileira. Os empresários dos jogadores estão tentando de tudo, mas sem sucesso. É muito fácil para as nossas autoridades ficarem no Brasil tomando cafezinho ou com a água de coco nas mãos sem saber o que realmente se passa aqui em Kiev. Não estamos a caminho de outra cidade por meio de trem. Seguimos dentro do hotel. Ligamos para a nossa embaixada todos os dias e eles não sabem o que nos falar", diz o atleta de 23 anos. Dodô ainda ressalta que mesmo que a embaixada disponibilizasse um trem para eles, é impensável sair às ruas diante dos ataques aéreos à capital da Ucrânia e os confrontos entre civis ucranianos e militares russos. "Estamos em mais de 60 pessoas nesse hotel entre jogadores e familiares. Tem os italianos da comissão técnica. Já sabemos que estão tendo ataques dos militares russos contra civis ucranianos. Não tem como a gente sair num grupo de 60 pessoas a pé até um terminal de trem, porque nesse trajeto podem achar que somos ucranianos e nos atacarem. Tem crianças no nosso grupo. Também é arriscado sairmos em diversos carros porque já vimos ataques a veículos de civis do país", acrescenta ele pedindo uma logística segura. Maycon, ex-meio-campo do Corinthians, disse que nem os representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) procuraram oferecer ajuda. "Não estão dando dando o suporte necessário, principalmente o governo", comenta o jogador de 24 anos. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, determinou a invasão do exército, o segundo mais poderoso do mundo, por não concordar com um eventual ingresso da Ucrânia, que faz fronteira com o seu país, na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).