Para especialistas, distrações simples podem ter consequências graves (Vanessa Rodrigues/AT) Olhar o celular por poucos segundos, atravessar um semáforo vermelho “dando tempo” ou pilotar com excesso de confiança estão entre os comportamentos mais perigosos no trânsito. Segundo especialistas em pilotagem, boa parte dos acidentes poderia ser evitada justamente com atitudes simples do dia a dia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O instrutor do Yamaha Riding Academy (YRA), Helio Mazzarella, compartilhou orientações voltadas à prevenção de acidentes - especialmente entre motociclistas, mas também válidas para motoristas em geral. Segundo ele, a displicência ainda é um dos maiores problemas no trânsito atual. “Ao conduzir um veículo, somos responsáveis não só pela nossa segurança, mas também pela de todos à nossa volta”. Principais erros no trânsito Para Mazzarella, distrações simples podem ter consequências graves. O uso do celular ao volante ou na pilotagem aparece entre os comportamentos mais preocupantes justamente pela perda imediata de atenção ao ambiente ao redor. Além disso, excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho seguem entre as infrações mais comuns. “São situações totalmente evitáveis, mas que continuam acontecendo o tempo todo”. No caso específico das motocicletas, dois outros fatores aparecem com frequência nos acidentes: falta de manutenção e excesso de confiança do condutor. Equipamentos de proteção Quando o assunto é segurança, o capacete segue como principal item de proteção. Mas não basta apenas utilizá-lo. Segundo o instrutor, o equipamento precisa ser homologado, estar corretamente ajustado e com a cinta jugular presa. A viseira também deve permanecer fechada durante a pilotagem. “Esses cuidados evitam que o capacete saia da cabeça antes do impacto e garantem que ele consiga cumprir sua função de proteção”. Jaquetas específicas para motociclistas também ajudam a reduzir lesões. Diferentemente de roupas comuns, elas são construídas para suportar abrasão no asfalto e contam com proteções adicionais contra impacto. Mazzarella também destaca a importância de luvas, botas e protetor de coluna - equipamentos ainda pouco utilizados pela maioria dos motociclistas. “As mãos normalmente são os primeiros pontos de contato com o solo em uma queda. Por isso, as luvas são essenciais”. Segundo ele, botas próprias para motociclistas oferecem reforços contra torções e impactos, enquanto o protetor de coluna ajuda não apenas na segurança, mas também na postura e redução da fadiga durante a pilotagem. O instrutor reforça ainda que o passageiro também deve utilizar equipamentos completos de proteção, e não apenas o condutor. Direção defensiva Outro ponto destacado pelo especialista é a condução defensiva. A ideia é antecipar situações de risco antes que elas aconteçam. Um exemplo citado é a aproximação de cruzamentos e semáforos amarelos. Em vez de acelerar para passar, o comportamento mais seguro é reduzir a velocidade e prever possíveis movimentos de pedestres ou frenagens bruscas. O mesmo vale para regiões próximas de escolas, ruas movimentadas, rotatórias e áreas de grande fluxo. Outra recomendação importante é evitar permanecer nos pontos cegos dos veículos ao redor. “Ser visto pelos outros motoristas pode evitar acidentes”, resume. Mazzarella também orienta motociclistas a ocuparem corretamente a faixa de rolamento, preferindo trafegar nas linhas onde passam os pneus dos carros. Segundo ele, isso amplia o campo de visão e aumenta o tempo de reação em situações de emergência. Chuva Em piso molhado, a aderência dos pneus cai consideravelmente, exigindo adaptação imediata da pilotagem. A recomendação é reduzir velocidade, evitar movimentos bruscos e utilizar os freios de maneira progressiva. Segundo o instrutor, a distribuição ideal de frenagem em motos fica próxima de 60% no freio dianteiro e 40% no traseiro. Além disso, ele aconselha atenção constante ao entorno do veículo. “O condutor precisa pilotar olhando 360 graus, observando não só o que está à frente, mas também atrás, usando os retrovisores”.