(Alexsander Ferraz/ AT) Quem analisa a venda de carros em cada estado do País pode se surpreender com algumas curiosidades, como a predominância de determinado veículo em uma região ou a diversidade de marcas numa mesma região. Os dados de emplacamentos obtidos junto à Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) demonstram a força do marcado automotivo nacional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A liderança por montadora, no acumulado até março, está com a Volkswagen, que responde por 85.917 vendas (18,2% do total), seguido de Fiat (66.244, 14,03%) e GM (51.228, 10,85%). Hyundai (4º, com 41.435, 8,78%) e BYD (5º, com 37.402, 8,78%) formam o top 5 do ranking. Quanto aos modelos de veículos novos mais vendidos e emplacados em 2026, no período entre janeiro e o dia 23 de abril, a liderança é do VW Polo, seguido do GM Onyx, Fiat Argo, VW T-Cross e VW Tera. Os outros que formam o Top 10 são, na ordem, o Hyundai HB20, Hyundai Creta, Fiat Mobi, BYD Dolphin Mini e Renault Kwid. Para o consultor automotivo Serafim Franco Martinez, existe uma forte presença dos elétricos de entrada - o BYD Dolphin Mini domina em várias regiões, o que mostra que a categoria deixa de ser nicho e passa a disputar volume. Nos estados do Nordeste, por exemplo, o elétrico é o mais emplacado em sete dos nove estados. “No Centro-Oeste há um equilíbrio entre SUV e hatch (Creta e Polo), com o poder aquisitivo puxando os SUVs. Já no Sudeste, temos uma mistura mais racional com T-Cross, Argo, Creta e também já há espaço para o Tera. Por fim, no Sul temos um comportamento mais tradicional e conservador com Kwid, Compass e Tracker, com pouco espaço para as novidades”, opina o especialista. As informações sobre a Região Norte não estavam disponíveis no site da Fenabrave. A divisão por estado por ser vista ao lado. Para Martinez, que é diretor da Ponto Com automóveis, o mercado hoje se divide entre o cliente racional, que busca economia (hatchs e agora elétricos como o Dolphin Mini), e o cliente aspiracional, que quer subir para SUVs, como T-Cross e Creta. “Na Baixada Santista, esse comportamento se repete, mas com espaço claro para crescimento dos elétricos e grande potencial em lançamentos como o Tera. A estratégia é simples: equilíbrio de estoque, discurso bem ajustado e foco em custo-benefício real para o cliente”, aponta. Força chinesa Já o diretor da Colorado Concept, Paulo Batista Júnior, destaca a força da indústria chinesa de automóveis no Brasil – existem, pelo menos, 14 marcas no País, com a chegada esperada de outras sete. “Existe hoje uma ação muito agressiva por parte das marcas chinesas no Brasil. Isso é muito claro para o mercado inteiro, e não só o automobilístico”, aponta. A indústria chinesa funciona através de volume de produção, seja a de automóveis, aço, têxtil ou produtos eletrônicos. “Onde oferecer espaço para produtos chineses no planeta, ela vai entrar, usando as armas que ela tem”. Para ele, a vantagem dos chineses reside numa condição de custo diferente de todo o resto da indústria. “Ela consegue colocar produtos numa equação preço-valor mais vantajosa para o público consumidor. Assim, consegue entregar um carro com mais atributos por um preço inferior à concorrência”. Segundo ele, estados como São Paulo apresentam melhor entendimento dos consumidores sobre a relação preço-valor de um veículo. “Ele entende a diferença do que é um produto consolidado de um produto que é um new product, algo que está testando o mercado. Então, esse público mais tradicional, ele demora mais para arriscar o capital”, emenda. (Divulgação/Arte Lutti Afonso)