A produção durou cerca de 1 década; a memória, para sempre. Há 50 anos, completados no último 9 de julho, a Fiat desembarcava no Brasil e prontamente lançou um modelo que cairia no gosto de milhões de brasileiros: o 147. Com características de um carro popular, ele brigou com o Chevrolet Chevette e os Volkswagen Fusca e Brasília, teve seus dias de glória e até hoje possui fãs. É o caso do Fiat 147 Car Club BH, de Belo Horizonte, que funciona desde 2014. Tido como referência para adoradores do modelo da Fiat, ele é presidido pelo engenheiro eletricista Percival Assunção. “Estou com 27 anos, já trabalhei com ele, que depois de um tempo foi aposentado. Tenho alguns exemplares: Fiorino, o 147 convencional e a Fiorino da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), O Sedan também foi uma revolução para a época”, descreve. A paixão é tanta que existe uma data anual para celebrar o Fiat 147: 14 de julho (ou 14/7), Como a data caiu ontem, os festejos foram no domingo passado. Em Belo Horizonte, foram reunidos 45 exemplares do modelo da Fiat em várias versões, como Panorama, Oggi, Fiat Europa e Spazio. “Lembro de propagandas que o colocavam ao lado de carros enormes, como Landau e Galaxy, e o chamavam de ‘o pequeno notável’. A mulher brigava com o marido, juntava as malas e as jogava dentro do Fiat 147”, acrescenta. Nos anúncios em revistas, o slogan era “Mais automóvel pelo seu dinheiro”. Percival entende que uma das razões para o culto ao Fiat 147 é a raridade de exemplares nas ruas. “É o que acontece com o Fusca e Opala também. Eram fortes em lataria, mas frágeis em borrachas e suspensão. Hoje, é difícil achar peças para ele, para mantê-lo rodando e conservar viva essa história”, argumenta. Diferenciais O carro introduziu soluções técnicas que depois se tornaram comuns na indústria nacional, como motor transversal, pneus radiais e para-brisa de vidro laminado. O modelo também trazia coluna de direção articulada. “O motor transversal era inovador, ou seja, motor e caixa de transmissão de lado, diferente de outros carros tradicionais que era motor na frente e a caixa atrás. Então foi um projeto ousado. Foi o grande diferencial, copiado do italiano 127”, relata. Com 3,63 metros de comprimento, 800 kg de peso e entre-eixos de 2,22 metros, o Fiat 147 era equipado com um motor de quatro cilindros de 1.050 cm3, capaz de desenvolver 50 cv a 5.800 rpm. No interior, acomodava até cinco ocupantes e contava com um porta-malas de boas dimensões para a categoria. O modelo também permitia o rebatimento do banco traseiro, ampliando o espaço para o transporte de cargas. O especialista recorda que, nos anos 1970, a busca era por um modelo menor, que consumisse menos combustível, por conta da crise mundial do petróleo. Sua versão a álcool foi lançada em 1979. No auge do programa ProÁlcool no País, nasceu o “cachacinha”, com motor 1.3 e velocidade máxima de 140 km/h, indo de 0 a 100 em 17 segundos. O apelido foi dado pelo odor exalado do motor que se assemelhava à bebida.