A briga acirrada pelo mercado e a grande quantidade de lançamentos — mais de uma dezena de novidades neste ano —, especialmente das marcas chinesas, a preços competitivos, têm feito com que a cotação dos automóveis se mantenha em níveis estáveis, mesmo com a chegada de modelos cada vez mais tecnológicos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o que mostra levantamento da Bright Consulting. No ano passado, por exemplo, o preço médio dos automóveis subiu apenas 0,5%, ante uma inflação oficial de 4,26%. Em 2016, o valor médio de carros novos no Brasil era de R\$ 113,2 mil. O período da pandemia foi responsável por uma disparada nos preços. Os valores públicos dos veículos novos saltaram de R\$ 117,9 mil em 2019 para R\$ 128,3 mil em 2020, alta de 8,8%, e continuaram subindo: R\$ 150,2 mil em 2021 (aumento de 17%) e R\$ 160,5 mil em 2022, mais 6,9% de aumento. O período pós-pandemia coincide com a chegada das chinesas. A BYD começou a vender seus veículos em 2022, e a GWM colocou os primeiros veículos nas ruas brasileiras em 2023. A partir daí, os dados indicam uma mudança. Desde 2022, os valores médios se mantiveram na faixa dos R\$ 160 mil. Os preços continuam subindo, mas em ritmo bem mais lento. Em 2025, os preços ficaram em R\$ 168.9 mil, alta de 0,5% em relação a 2024. Neste ano, o levantamento aponta uma média de R\$ 169,3 mil, aumento de apenas 0,2%. Basta ver os preços dos lançamentos chineses para entender como as montadoras tradicionais estão sendo pressionadas. O novo Caoa Chery Tiggo 5X parte de R\$ 124,9 mil na versão Sport, com painel integrado de 20,5 polegadas, ajustes elétricos do banco do motorista, seis airbags, sensores de obstáculos traseiro e dianteiro, entre outros itens. O GAC GS3 é outro exemplo. O modelo com motor 1.5 Turbo a gasolina de 170 cv parte de R\$ 139,9 mil. A versão topo, com teto solar panorâmico e pacote de assistência à condução (Adas, na sigla em inglês), custa R\$ 159,9 mil. Força chinesa Ex-presidente da Anfavea, a associação das montadoras instaladas no Brasil, e atualmente consultor, Rogélio Golfarb prevê que, em dez anos, um em cada três veículos vendidos no País será de alguma marca chinesa. A participação dos chineses, que foi de 10% no ano passado, deve dobrar para 20% em 2030, e chegar a 35% no País em 2035, conforme as projeções de Golfarb. “As marcas chinesas estão ganhando espaço, independentemente do crescimento do mercado, pela vantagem competitiva que as outras não têm”, comentou Golfarb, durante encontro com jornalistas em São Paulo. Também contribuem, em menor medida, subsídios do governo e prazos mais longos — de até 200 dias — para pagamento de fornecedores. “Todo mundo acha que a grande competitividade chinesa é o incentivo. Não é. Integração e escala são 88%”, disse Golfarb. Ele frisa que as marcas chinesas que estão desembarcando no Brasil são montadoras de grande escala e que não vão desaparecer “Recebemos o dream team. Vieram ao Brasil empresas de peso”. Exemplo Para mostrar de onde vem a vantagem de custo chinesa, Rogélio Golfarb fez uma comparação entre um sedã elétrico da Tesla, o Model 3, com um modelo similar de uma marca chinesa, ambos produzidos na China. O carro chinês custa cerca de US\$ 4 mil a menos, graças sobretudo às economias geradas pela maior integração produtiva (US\$ 2,4 mil) e pela escala (US\$ 1,8 mil).