De acordo com levantamento da CNseg, apenas 29% dos veículos em circulação possuem seguro no Brasil (Imagem ilustrativa/Magnific) A compra de um veículo é acompanhada de diversos sentimentos contraditórios: a satisfação de ter um bem novo e a preocupação com as contas oriundas dele. Uma delas é tratada por alguns como supérfluo: o seguro. Porém, a opção não é, nem de longe, a mais indicada e gera um dado preocupante. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com levantamento da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), apenas 29% dos veículos em circulação possuem seguro no Brasil. Além disso, 41% dos segurados pertencem à classe C, com renda entre R\$ 5,6 mil e R\$ 14,1 mil mensais. “Certamente existem consumidores que, diante de restrições no orçamento familiar, reduzem coberturas, aumentam franquias ou até deixam de renovar o seguro. Entretanto, os números agregados do mercado não permitem afirmar que esteja ocorrendo atualmente um movimento generalizado de abandono do seguro automotivo”, afirma o coordenador das graduações da Escola de Negócios e Seguros (ENS), José Varanda. Ele cita alguns números da Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia do Governo Federal. Nos quatro primeiros meses de 2026, o seguro auto arrecadou R\$ 20,26 bilhões em prêmios, crescimento de 6,55% em termos nominais e 2,24% em termos reais em relação ao mesmo período de 2025. “Além disso, a pesquisa da CNseg mostra uma enorme parcela da população sem cobertura (71%) mas não significa, por si só, que essas pessoas tenham abandonado recentemente o seguro – muitas delas provavelmente nunca o contrataram”, entende. Outro dado que chama a atenção: 46% dos automóveis segurados possuem valor de até R\$ 70 mil, enquanto outros 27% estão na faixa entre R\$ 71 mil e R\$ 100 mil. “Seguro não é investimento financeiro. Ele é um instrumento de proteção e transferência de riscos. O consumidor paga um valor conhecido e relativamente pequeno (prêmio) para transferir à seguradora determinadas consequências financeiras de eventos que são incertos e que podem representar uma perda muito maior”. Necessidade Varanda explica que hoje em dia o consumidor encontra uma variedade muito maior de modalidades de coberturas de seguros para automóveis do que há alguns anos. A modalidade de cobertura básica mais conhecida e considerada como a mais completa para garantir o veículo é a de seguro compreensivo, que reúne proteção contra colisão, incêndio, roubo e furto, dentre outros riscos. Entretanto, a regulamentação atual da Superintendência de Seguros Privados (Susep) permite que as seguradoras ofereçam coberturas isoladas ou combinadas. “O consumidor pode encontrar, por exemplo, seguro apenas contra roubo e furto, ou somente para colisão ou somente com proteção contra incêndio ou outras combinações. Em relação a danos causados a terceiros, há a cobertura de responsabilidade civil facultativa, que cobre danos causados a terceiros pelo veículo segurado, e a cobertura de acidentes pessoais de passageiros (APP), para danos corporais causados aos ocupantes do veículo”, Existem coberturas e serviços adicionais, como assistência 24 horas, guincho, carro reserva, vidros, faróis e retrovisores, acessórios e danos morais, entre outros, que podem ser acoplados à cobertura básica escolhida para o veículo para um seguro mais completo. “A Susep também admite produtos com cobertura intermitente, o chamado seguro ‘liga e desliga’, e produtos cujo preço considera a quilometragem rodada. A principal vantagem dessa diversidade é permitir que o consumidor ajuste o seguro às suas necessidades e à sua capacidade financeira, em vez de simplesmente escolher entre ter um seguro completo ou ficar totalmente sem proteção”, complementa Varanda. Riscos ajudam a definir tipos de proteção Há alguns fatores a serem verificados antes da aquisição de um seguro. Um deles é definir para quais riscos precisa de proteção. “É importante considerar que a cotação irá considerar o valor do veículo, a frequência com que ele é utilizado, onde circula, onde fica estacionado, quem o dirige e, principalmente, qual seria o impacto financeiro caso acontecesse um roubo, uma colisão ou um acidente envolvendo terceiros”, diz o coordenador das graduações da ENS, José Varanda. Depois, ao receber as cotações das seguradoras, é preciso comparar não apenas o preço, mas as coberturas, limites de indenização, franquias, exclusões, assistência 24 horas, condições para utilização de oficinas e peças e serviços adicionais. Segundo a Susep, o prêmio é calculado de acordo com o risco e que informações como idade e tempo de habilitação do principal condutor, tipo de utilização do automóvel, região de circulação e dispositivos de segurança podem influenciar o preço. “Outro cuidado importante é prestar informações corretas no questionário de avaliação de risco para a análise das seguradoras, lembrando que informações inexatas ou omissões relevantes podem gerar problemas no momento de um sinistro, incluindo a negativa de cobertura”, aponta Varanda. Custo Outra discussão gira em torno do custo do seguro. Em abril de 2022, por exemplo, o IBGE registrava uma alta acumulada de 23,46% em 12 meses no seguro voluntário de veículos. Mais recentemente, o próprio IBGE apresentou altas e quedas ao longo de 2024, 2025 e 2026. Em junho de 2026, por exemplo, o IPCA registrou queda de 3,39% no mês para o seguro voluntário de veículos.