[[legacy_image_294352]] Com apenas 15 anos, Izabel Fernandes, começou a fumar enquanto ainda estava no ginásio. Hoje, aos 57 anos, a oficial de justiça de Santos comemora e tem orgulho em dizer que está há dois anos e cinco meses sem fumar. Por 42 anos o cigarro foi se tonando mais presente em sua vida, começou com um ou outro escondido até que quando percebeu estava fumando 3 maços por dia – 60 cigarros por dia. Ela conta que quando começou fumar era ‘moda’, era algo que era visto nos programas televisivos, nas novelas e “era chique”. Mas com o passar dos anos, ela sentiu os efeitos no corpo, ganhou peso e não sentia disposição em fazer nada, “foi quando senti que precisava fazer algo por mim”, conta. “E faz dois anos e cinco meses e minha vida mudou completamente. Parecia que o cigarro bloqueava minha mente, hoje eu vejo a vida de outra forma”, comemora. Mas parar de fumar não é uma tarefa fácil. Depois que decidiu por essa mudança de hábito, Izabel procurou atendimento médico através de um programa de combate ao fumo, que já ajudou quase mil pessoal a largar o vício, em Santos. [[legacy_image_294353]] De acordo com o Rogério Kreidel, coordenador do Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista da Cidade, qualquer fumante pode participar e para se inscrever basta ir até uma Unidade de Saúde Básica (UBS) da cidade. Após se inscrever são formados grupos de apoio para começar as atividades. “Fechamos os grupos com cerca de 15 pessoas que serão acompanhados por três meses. Nesse período mostramos quais os tipos de dependência, dicas de como diminuir a fissura, que é a vontade de fumar, até mesmo fornecemos apoio medicamentoso, com adesivos de nicotina, por exemplo, que assim ele vai fazendo a reposição de nicotina e vai diminuindo a vontade de fumar”, explica. Ainda segundo Kreidel, parar de fumar sozinho é muito difícil, por isso que na cidade as atividades são feitas em conjunto, pois assim um acaba incentivando o outro, trocando experiências do que diminui a vontade de fumar. Das 2.082 pessoas que já participaram do grupo 45,1% conseguiram parar de fumar. “A nicotina é muito viciante, além da dependência química, existe a dependência comportamental. Que aquele hábito que a pessoa cria, por exemplo, depois de comer a pessoa vai e acende um cigarro, por isso é tão difícil da pessoa parar”, conta. Izabel participou de um desses grupos em 2021 e para ela esse momento foi como uma “limpeza do organismo”. “Nem eu acreditava que ia conseguir parar, pois eu ficava nervosa com uma audiência, eu precisava parar e fumar. O cigarro dá uma falsa sensação de liberdade, quando menos enxergamos, já estamos totalmente dependentes”, afirma. Para a oficial de justiça seu único vicio agora é cuidar de si mesma. “Meus amigos dizem até que rejuvenesci. Hoje tenho mais disposição, faço atividade física, emagreci, participei até da minha primeira corrida no último domingo (27)”. DoençasApesar do alto consumo de cigarro, Izabel não desenvolveu nenhuma doença. Ela foi um caso atípico, pois segundo a cardiologista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), Jaqueline Scholz, o tabagismo favorece o aparecimento de diversas doenças sistêmicas, como as cardiovasculares, além do câncer, que podem levar à morte. [[legacy_image_294354]] “A cada 10 fumantes, do cigarro convencional, 5 morrem de maneira precoce por doenças causadas pelo cigarro. Já o cigarro eletrônico os efeitos são ainda piores, ele tem um altíssimo teor de nicotina e a inalação repetida de partículas que acabam ganhando a corrente sanguínea e inflamando as paredes dos vasos. Temos casos até de morte súbita de usuários de cigarro eletrônico. O cigarro é o maior evitável de morte”, alerta. Uma pesquisa divulgada pela Socesp no final de agosto, mostra que o cigarro é consumido ainda por 20,3% da população do estado de São Paulo. Outros 22% são considerados fumantes passivos. Ainda segundo a cardiologista, os dados são alarmantes, pois é o dobro do que era esperado para a população. “Isso vem aumentando devido as normas formas de tabaco, como o narguilé e o cigarro eletrônico, que também são substâncias que provocam a dependência da nicotina, assim como o cigarro convencional. A taxa encontrada foi o dobro da esperada dos números atuais no Brasil, que é em média 9%”, explica. E assim como foi para Izabela na sua juventude com os cigarros tradicionais, os cigarros eletrônicos vêm seduzindo os jovens, explica a especialista. Um dado recente do IPEC - Inteligência em Pesquisa e Consultoria, mostra que seis milhões de fumantes brasileiros já experimentaram os chamados ‘vape’, mesmo dispositivo estar entre os produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde 2009. “É um comportamento social, um começa e acaba levando o outro, ainda mais como os produtos encontrados hoje, que tem um cheiro bom, que não incomoda o outro, muito pelo contrário, você sente o cheiro e fica curioso, daí você experimenta hoje de um amigo, amanhã de novo, de repente você está comprando e entra em um caminho sem volta”, alerta.