[[legacy_image_289304]] Um vídeo publicado em uma página do Facebook tem gerado bastante repercussão nas redes sociais por mostrar um ritual da Umbanda. Conforme apurado por A Tribuna, o vídeo foi gravado no último dia 7 de agosto, em frente ao 45° Batalhão da Polícia Militar (PM), no bairro Sítio do Campo, em Praia Grande, litoral de São Paulo. (Assista ao vídeo abaixo). Até a noite desta terça-feira (15) o vídeo tinha 4,4 mil visualizações e 2,9 mil comentários, muitos ofendendo a religião de matriz africana. As imagens começam de dentro do batalhão mostrando as câmeras de segurança, onde é possível ver três pessoas, uma delas ajoelhada. Na sequência, a pessoa que está gravando vai até a frente e mostra o local onde o grupo estava. [[legacy_image_289305]] Umas das pessoas que aparece nas imagens é o Pai de Santo Noberto Santos Carneiro, de 25 anos, que tem um Centro de Umbanda em Cubatão, que contou para A Tribuna que estava fazendo um ritual ao orixá Ogum, que é considerado o patrono dos exércitos, que representa a luta e a vitória e que por isso o rito foi feito em frente ao batalhão. "Eu costumo fazer esse ritual em frente à Delegacia de Cubatão, os policiais de lá já me conhecem. Mas como também tinha um rito na praia, eu decidi fazer tudo lá (em Praia Grande). Concordo que teve uma falta de comunicação da minha parte, pois como o pessoal de Cubatão me conhece, eu não costumo pedir autorização, então eu fui lá com o mesmo entendimento. Quando os policiais apareceram para falar comigo me disseram que eu tinha que ter autorização, pedi desculpas porque não sabia que precisava, mas eu não sabia que estava sendo gravado e nem que ele iria postar na internet”, conta. Noberto só tomou conhecimento do vídeo no domingo (13) pelas redes sociais e ficou indignado com os comentários ofensivos e seu rosto estampado nas publicações. “Quando eu vi minha imagem daquela forma eu fiquei indignado, não tinha necessidade de ter gravado, houve uma falha de comunicação, eu pedi desculpas no dia, mas não entendi o motivo de ser exposto dessa maneira, como se estivesse fazendo algo errado, foi muito constrangedor”, desabafa. OfensasEntre os comentários, mensagens dizendo “O sangue de Jesus tem poder pra desfazer toda obra do diabo. Fazendo oferenda aos êxus (sic), contra a vida os policiais. Que Deus venha guardar a vida desses policiais (sic)” e “Satanás e suas artimanhas por isso que tá um caos o mundo, inteiro, quem ouve a voz de Deus não há o que temer, tá repreendido todo e qualquer ataque contra os polícias” acumulam curtidas. [[legacy_image_289306]] Por medo, Noberto estuda com um advogado a necessidade de registrar um boletim de ocorrência por intolerância religiosa. “Meus familiares viram as publicações e estão com medo, eu fui criado pela minha avó, que é evangélica, nós temos uma abertura sobre religiões e ela me ligou com medo de que aconteça alguma coisa comigo. Infelizmente estamos em um país muito preconceituoso”, conta. Ritual de OgumDe acordo com o Pai de Santo, o ritual feito foi um chamado camarinha, que é um rito de concretização e o que aparece nas imagens é um rito ao Orixá Ogum. O lugar onde o rito deve ser feito é tirado nas cartas, runas ou até mesmo nos búzios. “Normalmente quando é feito ao orixá Ogum, ele indica ou em frente à uma delegacia que esteja aberta, não necessariamente na porta, mas em frente, na linha do trem, alguns banhos na cachoeira ou na beira do mar, que são lugares que Ogum responde”, explica. Durante o ritual a pessoa que está na camarinha passa a folha da planta espada de são jorge em seu corpo, enquanto o Pai de Santo faz as orações e para finalizar ele quebra a planta, que simboliza a quebra das energias negativas, o mesmo que quando a pessoa recebe o passe, explica o sacerdote. “Nesse caso, precisava ser frente a uma delegacia e depois era necessário um banho de mar, por isso preferi fazer em Praia Grande ao invés de Cubatão. Foi a primeira vez que fiz o rito lá depois de toda essa situação, fiquei com medo”, conclui. A Reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar (PM) que apenas confirmou a ocorrência. Disse que o policial escalado na quarta do quartel percebeu a aproximação das três pessoas em frente à unidade e foi verificar o que estava acontecendo. “Ao indagá-los, foi informado que se tratava de um ritual de cunho religioso, momento que o policial os alertou sobre a necessidade de, ao menos, cientificar os policiais que ali trabalham, visto se tratar de um perímetro de segurança, sem contudo, impedir a realização do ritual”, disse a PM em nota. Ainda segundo a PM, os policiais respeitaram o ritual e foram embora assim que ele terminou, mas não falaram sobre a gravação feita.