Seis estudantes foram detidos após a ocupação dos blocos K e L da administração central da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, zona oeste da capital. A ação foi realizada na noite de anteontem por um grupo de alunos que reivindica mudanças nas políticas de permanência estudantil e ocorreu poucas horas depois de uma assembleia aprovar a recomendação para o encerramento da greve iniciada em 14 de abril. A ocupação foi encerrada após acionamento da Polícia Militar. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os policiais encontraram no local barricadas bloqueando as entradas dos edifícios, que foram desobstruídas após a retirada dos estudantes. Os seis detidos, com idades entre 18 e 22 anos, foram encaminhados ao 7.º Distrito Policial, na Lapa, onde prestaram depoimento e foram liberados. Em vídeo publicado nas redes sociais, o grupo que reivindica a ação afirma que foi retirado à força do prédio e acusa policiais e agentes da guarda universitária de agir com truculência durante a operação. Procurada pelo Estadão, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso. A USP afirma que o local foi invadido por pessoas encapuzadas portando paus e cassetetes e que rojões e fogos de artifício foram disparados contra agentes que atuavam no local. A reitoria informou que integrantes da guarda universitária sofreram escoriações durante a ocorrência e que ao menos três deles precisaram de atendimento no Hospital Universitário. Em manifesto divulgado após a ocupação, os responsáveis pela ação afirmaram atuar de forma independente, sem vínculo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), que conduziu a greve nos últimos meses. O grupo diz que a mobilização busca pressionar a universidade a avançar em negociações. UNICAMP Em greve geral desde 18 de maio, estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocuparam na mesma noite de segunda-feira o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), órgão responsável pela gestão das atividades administrativas da instituição. Em nota, o Diretório Central Estudantil da Unicamp (DCE) afirmou que a Reitoria da universidade enviou e-mails "que tentavam chantagear" a mobilização estudantil e "impor o fim da greve", sem novas negociações e sem formalizar as propostas já discutidas. "Em resposta, o movimento estudantil decidiu por ocupar a DGA da Unicamp, órgão responsável pelas principais decisões político-administrativas da universidade, para deixar claro que não aceitamos ameaças, tampouco aceitaremos o encerramento das negociações de maneira unilateral." A Reitoria da universidade, por sua vez, lamentou o caso e afirmou que a ação prejudica serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, bolsas e auxílios estudantis, o processamento de pagamentos, compras e contratos, o funcionamento dos restaurantes universitários e a importação de insumos para pesquisa.