[[legacy_image_246022]] No dicionário, a palavra evasão, substantivo feminino, significa “ação de abandonar algo, desistência, abandono”. Em educação, ganha outro sinônimo: preocupação. A evasão escolar é uma questão recorrente no Estado ou nos municípios, que traçam estratégias para lidar com o tema. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Instituto Todos pela Educação, por exemplo, produziu em 2021 a nota técnica Taxas de Atendimento Escolar da População de 6 a 14 Anos e de 15 a 17 Anos, com dados da Pnad Contínua/IBGE do segundo trimestre daquele ano. Buscou medir o impacto inicial do período de fechamento das escolas no País por causa da pandemia de covid-19. Entre crianças e jovens de 6 a 14 anos, a nota destaca que, de abril a junho de 2021, cresceu 171,1% o número dos que estavam fora das escolas, na comparação com igual período de 2019. Ou seja: 244 mil crianças e jovens nessa faixa não estavam matriculados. “O abandono e a evasão escolar formam um problema complexo, que, muitas vezes, não tem uma causa única. Está relacionado tanto à questão interna da escola quanto à socioeco-nômica. Esses dois elementos se relacionam. Além disso, o modelo de escola que existe no Brasil hoje não é interessante para crianças e jovens, fazendo com que elas deixem de ver sentido e como algo importante na vida dos alunos”, afirma a analista de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Daniela Mendes. Para ela, muitas vezes, a escola não é vista como um espaço acolhedor, para que o jovem exerça sua identidade em relação a gênero, raça ou cultura. “Outro fator importante é a trajetória escolar dos estudantes. Quando há muita repetência ou atraso na idade escolar, existe uma tendência de o aluno se desestimular e evadir”, observa. Quanto aos motivos socioeconômicos, Daniela cita alunos que trabalham para ter independência financeira com relação aos pais ou ajudar no orçamento familiar. “E, entre as meninas, a gravidez ainda é um motivo importante de abandono”, frisa. AÇÃO IMEDIATA O dirigente regional de Ensino da Diretoria de Santos (que engloba Santos, Cubatão, Guarujá e Bertioga), João Bosco Arantes Braga Guimarães, acredita que o problema não se restringe à evasão. “Trabalhamos com dois problemas sérios relacionados a isso, que são a evasão e a infrequência. O que a escola precisa fazer? O aluno que passa a faltar necessita de atenção. Então, o professor deve olhar quem está faltando e iniciar a busca ativa naquela semana”, pondera. Na rede estadual, de acordo com ele, uma das ferramentas que a Secretaria Estadual de Educação está criando permitirá ao professor controle diário dos alunos. “Ele vai digitar no seu sistema a frequência deles. Essa falta vai ser monitorada e, a partir da terceira (falta), a escola já precisa entrar em ação com esse aluno. Busca ativa na própria escola, junto ao Conselho Tutelar e a órgãos de assistência do Município. Precisamos colocar a malha de atendimento, do Estado e do Município, para a volta desse aluno à escola”. CAMINHOS Daniela Mendes, do Todos pela Educação, vai na mesma linha. “É fundamental realizar ações de busca ativa, ir atrás dessas crianças e dos jovens que estão fora da escoa. Uma vez que retornem, é importante que os governos mantenham condições financeiras básicas para que esses alunos permaneçam de fato na escola, pensando em programas de transferência de renda, com condicionalidade atrelada à frequência escolar, por exemplo”. Santos transforma busca de aluno ausente em política pública Maior cidade da Baixada Santista, Santos também lida com a evasão escolar. Os números de 2022 ainda não foram divulgados por falta de dados do Censo Escolar. Mas, conforme a Seduc, a taxa provisória de alunos “cancelados” devido à infrequência é de 1,21%. O percentual considera os que não retornam após a Busca Ativa, com base no Sistema Integrado de Gestão Escolar (Siges) do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano ). A Cidade aposta na busca ativa domiciliar, chamada Escola Presente. Em novembro de 2021, pela Lei Municipal 3.944, a Busca Ativa Domiciliar se tornou política pública. “O serviço consiste na ida de profissionais à residência de estudantes faltosos ou evadidos, após a notificação das unidades escolares, para conscientizar os responsáveis legais e, quando necessário, encaminhar os casos para outros serviços ligados à Prefeitura”, explica a supervisora de Ensino, Joana Patricia dos Santos Costal. Procedimento Joana reforça que o estudante infrequente é inserido na Busca Ativa, definida como um fluxo de ações para reintegrar o aluno na rotina escolar. “O orientador educacional ou outro membro responsável da equipe gestora da escola realiza a Busca Ativa, seguindo o seguinte fluxo de ações: telefonemas para o responsável, contato com os colegas da turma e/ou parentes do aluno, encaminhamento para a Escola Presente (visita domiciliar), contato com os serviços do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente e, no caso de o aluno não retornar, envio de Ficai (Ficha de Encaminhamento do Aluno Infrequente) para o Conselho Tutelar tomar as devidas providências”, descreve. O trabalho contempla todas as 86 unidades escolares geridas pelo Município, com recursos próprios da Prefeitura, e é monitorado e avaliado pela Secretaria de Educação (Seduc). “Este trabalho se iniciou como orojeto em 2018 com apoio do CMDCA (Conselho Municipal do Direitos da Crianças e dos Adolescente)”, complementa Joana. Bertioga O índice de evasão apresentou redução em comparação ao ano anterior. Houve quatro situações – duas na região urbana e duas na escola indígena. As escolas do Município atuam por meio de contato por telefone, redes sociais e visitas aos endereços dos alunos, para localizar e regularizar a questão; Cubatão De acordo com a Secretaria de Educação, estes foram os números de abandono no ano passado: Pré-Escola, seis estudantes; creche, 92; Ensino Fundamental (anos iniciais), 12 alunos; Ensino Fundamental (anos finais), 12; Guarujá Ao final do último ano letivo, a rede municipal de ensino registrou o abandono escolar de dois estudantes: um de Ensino Fundamental I e outro de Fundamental II. Com o início do período letivo, amanhã, a Secretaria de Educação realizará busca ativa por esses estudantes, de maneira ostensiva; Itanhaém O trabalho de busca ativa começa na unidade escolar. Semanalmente, os professores controlam a frequência e a reportam à assessora pedagógica da escola, que entra em contato com a família para verificar o que está acontecendo. Após essa etapa, caso não se resolva o problema de infrequência escolar, o colégio solicita uma visita ao programa social escolar, começando por visitas à residência do aluno, com relatório e resposta de visita para os gestores escolares. Nos casos de acionamento da rede de proteção, é feito o alerta por meio de uma plataforma chamada Busca Ativa Escolar; Mongaguá A Prefeitura não divulgou números de evasão escolar, mas declarou que as principais razões observadas são mudança de endereço, baixa autoestima, pouco suporte emocional da família e agravos causados pela pandemia; Praia Grande No ano passado, a rede municipal de ensino de Praia Grande tinha 45.321 alunos em turmas de Infantil I e II e do 1º ao 9º ano. Do total, houve 301 estudantes não frequentes, 0,66% do total. Para evitar o abandono escolar, a Secretaria de Educação conta com o serviço de pedagogas comunitárias e estagiários que acompanham de perto São Vicente A Prefeitura registrou 40 casos de evasão escolar no ano passado. A rede municipal mantém uma ação permanente de busca ativa que faz parte do Integra-SV, programa de reforço escolar do Município. Peruíbe não enviou dados até o fechamento desta edição