[[legacy_image_86338]] Depois de um ano no cargo, completado em 15 de julho, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, que nasceu em São Vicente e também é pastor evangélico, destaca a implantação de uma gestão mais profissional e técnica no comando da pasta, uma das mais importantes do Governo Federal. Além disso, ele diz que o combate à corrupção é prioridade em sua gestão. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Fechamos as torneiras da corrupção. As pessoas podem falar o que quiser sobre o presidente, mas não que ele é ladrão. Quando cheguei ao MEC, fiquei muito preocupado. Vi o número de prefeitos que recebiam verbas do ministério e nem sempre prestavam conta do valor total”. De julho de 2020 até agora, enumera, já foram quase 500 processos enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU) referentes a prefeituras que não prestaram contas das verbas recebidas do MEC para merendas, reformas e compra de livros. Ribeiro alegou não saber se há alguma da região nessa relação e afirmou que cabe ao TCU avaliar se houve algum tipo de desvio ou apenas falta de capacidade técnica para os trâmites corretos. O ministro diz partilhar todas as informações com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ele “jamais fez qualquer intervenção para beneficiar este ou aquele prefeito. Então, renovei minha esperança nesse governo”. Milton Ribeiro, que mora em Santos e é pastor em uma igreja presbiteriana, visitou o Grupo Tribuna na última sexta-feira, em companhia do vereador santista Hugo Duppre (Republicanos), membro de sua igreja. Ele foi recebido pelo diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes. Universidades federais O ministro destaca, ainda, o desafio que tem sido administrar as 69 universidades federais, 50 das quais com cursos de Medicina e, portanto, com seus hospitais universitários também. “Nunca imaginei ter que cuidar de 50 hospitais universitários. Cada leito hospitalar custa R\$ 1 milhão por ano. Sempre que algum hospital quer virar universitário, eu penso quanto será o custo. Mas o que salvou o Brasil nessa pandemia foram os hospitais das universidades federais”. Milton Ribeiro diz que não é simples administrar uma universidade, mas que já conseguiu ter ao menos 22 das 69 unidades mais alinhadas com seu plano de gestão. Orçamento Um dos receios das instituições federais é sobre o contingenciamento do orçamento para este ano e o risco da falta de recursos para o custeio já a partir de outubro. Em abril, o presidente Bolsonaro sancionou a lei orçamentária de 2021 com veto a R\$ 19,767 bilhões, cancelados definitivamente, e bloqueio adicional de R\$ 9,3 bilhões em despesas discricionárias, que podem ser liberados no decorrer deste ano. Os maiores bloqueios foram nos ministérios da Educação (2,7 bilhões), Economia (R\$ 1,4 bilhão) e Defesa (R\$ 1,3 bilhão). Sobre isso, o ministro garantiu que não faltará recurso para as federais – “elas sempre ficam com esse receio”, comentou –, mas explica que o descontingenciamento das verbas bloqueadas depende da entrada de recursos nos cofres da União. Enem O ministro da Educação pretende fazer mudanças no modelo de contratação da empresa que fará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2022, porque entende que há desperdício de recursos com infraestrutura, locação de espaços e pagamento de profissionais. Em 2020, foram R\$ 700 milhões. Este ano, o número de inscritos confirmados foi o menor desde 2005 (3,1 milhões). “Só discutirei esse número depois que conferir o total que efetivamente foi fazer a prova. No ano passado, eu tive 5 milhões de inscritos, mas um número alto de pessoas que não compareceram, e muitos eram isentos da taxa”. Para este ano, os isentos de 2020 que não foram ao exame e não apresentaram justificativa terão que pagar caso queiram se inscrever novamente. Ensino técnico Outra frente que Milton Ribeiro pretende atuar mais fortemente a partir deste segundo semestre é no Ensino Técnico, que segundo ele foi negligenciado pelas gestões federais anteriores. “O PT foi pelo caminho errado, porque queria fazer política com a educação. Encheu o Brasil de universidades federais, como se construísse uma casa. Universidade federal, para mim, é o telhado. O que importa é o alicerce, a educação básica. Há meninos e meninas com 10, 12 anos que não sabem ler e escrever”. Candidatura não está no plano Milton Ribeiro não é filiado a partido político e garante que não fará isso, apesar de já “ter recebido dezenas de convites”, segundo diz. “O fato de não ser candidato me faz ganhar mais credibilidade na minha área, que é a acadêmica”. Ele também descarta candidatar-se a qualquer cargo em 2022. O pastor evangélico não acredita em pesquisas eleitorais e defende o presidente quando fala em criar um sistema de votação que seja auditável. “Os presidentes eleitos geralmente não pedem auditoria. E o presidente Bolsonaro está pedindo que haja auditoria. Eu acho, sim, que pode haver fraude. Se invadem a Nasa ou a CIA, por que não invadiriam o sistema? Para acabar de vez com qualquer dúvida, vamos colocar o voto auditável, porque aí cala a boca de todo mundo”. Sobre as pesquisas eleitorais, diz que “Lula não tem 60% nunca. Eu saio com o presidente várias vezes, paro com ele nas cidades, e uma multidão vem recebê-lo. Não acredito em nenhuma pesquisa eleitoral. Eu nunca fui pesquisado. Nunca ligaram para mim. Eu sou bolsonarista, sim, e acho que ele ganhou no primeiro turno em 2018”. Sobre a postura do presidente Bolsonaro ao longo do mandato e as polêmicas que cria, diz que “ele está melhorando, acho que já esteve pior, e essa mudança é com certeza uma influência nossa, de alguns ministros mais próximos”.