[[legacy_image_91828]] As vendas de imóveis usados devem continuar subindo, pelo menos, até o ano que vem, na avaliação de especialistas ouvidos por A Tribuna. O pico pode se dar em novembro e dezembro. Com os lançamentos atrasados pela incerteza da pandemia no ano passado, a oferta de casas e apartamentos novos está menor. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Na visão do diretor comercial da R3 Imóveis, Sthefano Lopes, nem a previsão de alta na taxa básica de juros deve assustar esse consumidor. “Com a incerteza de 2020 muitos construtores esperaram este ano para lançar. A expectativa para o fim do ano é otimista, mesmo com a alta da Selic, pois ainda há uma demanda reprimida”, afirma. Segundo o diretor do Sindicato da Habitação (Secovi) na Baixada Santista, Carlos Meschini, a incerteza no primeiro semestre do ano passado contaminou os lançamentos, principalmente em Santos. “Com o abre e fecha, o usado teve um upgrade. O fim do ano vai ser muito bom para o usado e essa tendência vai continuar porque o novo demora para chegar ao mercado”, diz. (veja o gráfico) Pesquisa do Conselho regional de Fiscalização do Profissional Corretor de Imóveis (Creci) de São Paulo mostra o tamanho do crescimento. A alta nas vendas de usados no Litoral Paulista foi de 79% na comparação de janeiro a maio deste ano com igual período de 2020. A pesquisa considera as cidades dos litorais Sul e Norte. No ano passado, foram vendidas 359 unidades nos primeiros cinco meses contra 643 no mesmo período de 2021 - foram ouvidas 868 imobiliárias na primeira pesquisa e 908 na segunda. Em ambas, 37 cidades do Estado de São Paulo foram consultadas. Dentre os imóveis vendidos, 57,25% foram negociados à vista e 19,85% através dos bancos privados. A Caixa respondeu por 16,79%. Entre casas e apartamentos, a região preferida foi o Centro das cidades, com 68,02%. As regiões nobres foram escolhidas por 25,98% dos compradores. A faixa de preço mais negociada é a de R\$ 201 mil a R\$ 300 mil, com 21,37%. Essa diferença grande vem do começo da pandemia. Segundo Lopes, janeiro e fevereiro de 2020 foram meses ruins, com incerteza, mas com o mercado caminhando. “Março e abril de 2020 praticamente não se vendeu imóveis, houve uma queda brusca e muita insegurança por parte dos clientes”, conta. Como a quarentena não permitia visitas, houve também a adaptação das empresas, que tiveram que fazer uma transformação digital para tentar continuar vendendo, diz ele. “Maio iniciou a retomada e de junho em diante as vendas cresceram muito com o baixo custo do crédito e a necessidade que as pessoas viram com a pandemia de ter uma maior qualidade de vida”, conta Sthefano Lopes. Essa valorização, com o passar do tempo, se manteve, conforme diz o delegado regional do Creci SP, Carlos Ferreira. “A pandemia mudou o conceito de trabalho e lar das pessoas. Depois do isolamento social, houve o aprendizado do home office, que deixou as pessoas mais exigentes, seja com áreas de lazer nos condomínios ou casas com quintal, luz solar e ar fresco”. Home office e classes média e baixa aquecem setor Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Crecisp), José Augusto Viana, a busca dos paulistanos por imóveis para trabalhar em regime de home office na praia ainda estimula os negócios do setor imobiliário da região. Além do filão do home office, o perfil de comprador que movimento o mercado imobiliário da Baixada Santista está centrado neste momento nas classes baixa e média, conforme levantamento do Crecisp. “Essa faixa, que trabalha com algo ligado à informática, como o telemarketing, por exemplo, também está se movimentando, comprando ou alugando”, afirma Viana. Faixas procuradas De acordo com a pesquisa do Creci na região, entre os imóveis vendidos em junho, 47% são da faixa de R\$ 101 mil a R\$ 200 mil e 21,5% ficam entre R\$ 201 mil a R\$ 300 mil. “Seis em cada dez imóveis vendidos são de dois dormitórios e imóveis pequenos, de até 100 metros quadrados. Isso indica um perfil mais mediano de comprador, que quer um imóvel maior, ainda que ele seja mais afastado do centro”, diz Viana. Segundo o presidente do Crecisp, a propriedade imobiliária ainda é uma aspiração dos trabalhadores brasileiros. “Todo mundo quer porque é seguro. Ao mesmo tempo, é um investimento porque as locações também têm ficado fortes”, completa ele.