[[legacy_image_269816]] Disposto a trazer para o Estado de São Paulo R\$ 300 bilhões em investimentos privados até 2026, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Jorge Lima, aposta na parceria com empresários para a definição das vocações econômicas de cada região. Para isso, vem percorrendo todas as 15 regiões administrativas, onde organiza e estrutura coalizões empresariais para identificar as potencialidades e gargalos e alavancar o desenvolvimento. Nesta entrevista, Lima fala sobre a Baixada Santista e a aposta no turismo, polo de Cubatão e Porto de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A sua secretaria criou 16 coalizões empresariais, formadas pelo setor produtivo de cada região do Estado. Qual é o objetivo maior dessa iniciativa? São Paulo é um terço do PIB brasileiro (36%), mas quando você olha o Estado, enxerga 16 regiões administrativas diferentes. Uma lupa colocada sobre essas regiões mostra um desequilíbrio grande. A Região Metropolitana de São Paulo responde por 51,5% do PIB; Campinas é 19,8%; Sorocaba é 4,88% e São José dos Campos, 5,8%. Ou seja, das 16 regiões, quatro dominam 81% do PIB do Estado, o desenvolvimento não está chegando a todos os lugares. A Baixada Santista é 2,2%; Franca é 1,2%. Há um desequilíbrio econômico que precisa ser corrigido. Além disso, dos 645 municípios, 503 têm menos de 50 mil habitantes. Como é que eu desenvolvo um projeto econômico em cidades com tão poucos habitantes? Dividimos o Estado em regiões e estamos chamando os empresários de cada uma delas para entender quais são as vocações de cada uma para que eu possa fazer um crescimento mais agressivo. Cada região tem a sua vocação. E qual a vocação da Baixada Santista? Turismo, Porto e o polo industrial de Cubatão. Então, está claro o que precisa fazer: melhorar o Porto, revitalizar o Centro de Santos, melhorar a segurança em Guarujá. Quem tem esse dinheiro pra investir é o empresário. A política pública serve para incentivar, capacitar, mas quem aporta dinheiro para o desenvolvimento é o empresário da região. Então, criamos as coalizões pra sentar com o empresário e perguntar: como a gente vai fazer essa região crescer? Em Ribeirão Preto, por exemplo, eles estão criando um polo de saúde, uma vocação além do agro, que já é muito forte também. Não vamos inventar a roda, vamos aproveitar a vocação de cada região. Além dos empresários da própria região, outros podem se sentir atraídos. Para a Baixada Santista, algum novo investimento privado previsto? Eu já fui presidente de várias empresas, de atividades diferentes, então, falo com conhecimento. Ninguém vai colocar uma fábrica, por exemplo, em lugar que não tenha alguns parâmetros, como logística, por exemplo. Se eu tenho exportação, preciso estar perto de porto, porque o custo será menor. O empresário não vai colocar em qualquer lugar. Então o senhor não acredita que isso seja possível? Não é que não acredito, é que precisa estar em sintonia com a vocação. As pequenas cidades, por exemplo, poderiam ter um modelo de cooperativa de agricultura. Pode ser uma solução. Com a coalização, os próprios empresários vão identificar o que dá e o que não dá pra fazer, porque conhecem a região. Além disso, envolvendo o empresário não vai ter mudança quando o governo mudar de mãos com as eleições. Em relação ao Turismo, o que está no radar da secretaria? É uma das grandes vocações de São Paulo, mas é um projeto para oito ou 12 anos. Eu preciso aumentar o atracadouro de Santos para receber mais navios. Precisamos ter continuidade de projetos de curto, médio e longo prazos. Acesso à Baixada Santista também é outro gargalo, que vai se resolver, no mínimo, em oito anos porque tem toda uma questão ambiental. Se não começar a fazer agora, não vai sair nunca. E o túnel, então? Se o Governo Federal não fizer, nós vamos fazer. Não dá mais pra adiar projetos. O senhor já esteve do ‘outro lado da mesa’, no setor privado, então, que fatores desestimulam o empresário a investir? São quatro grandes problemas. Pela ordem: segurança jurídica... Um instante: e como resolve isso? Vamos ter que fazer um arcabouço jurídico, vamos ter que cumprir palavra. Por exemplo, acabamos de aprovar o Marco do Saneamento, e agora já estão querendo mudar tudo. Acabou de privatizar a Eletrobrás e já querem rediscutir. O mesmo com reforma trabalhista. A vida anda...e anda pra frente. Esse é um grande problema no Brasil. E os demais problemas? O regime tributário é outro. Coitado do pequeno e do médio empreendedor, que não tem dinheiro pra contratar os melhores escritórios tributários. É imposto de todos os tipos, ninguém entende. Outro ponto: aqui no Brasil, um funcionário custa 1,7 do salário dele. Se ganha mil reais, o empregador gasta mil e setecentos. Como pode uma folha tão onerosa assim? O Brasil perde competitividade dessa forma. Outro problema é a capacidade que precisamos ter para estabilizar a economia. Não temos economia de estado. Precisamos desatrelar a economia da política. Quais são as vantagens competitivas da Baixada Santista e os pontos fracos? Lá vocês têm o maior porto da América Latina, e isso é uma grande vantagem. Tem grandes operadores dentro desse porto. Tem um turismo muito forte e com paisagens lindas. E tem um polo industrial consolidado que vamos precisar recuperar. Como recuperar? Temos que reindustrializar o polo. E aí temos que pensar como vamos levar empresa pra lá, mas antes, é preciso redesenhá-lo. Mas ele é fortíssimo. E os desafios, além do acesso à região que o senhor já falou? A pobreza é um desafio. Temos que resolver isso antes que outro fato como do Litoral Norte venha aí. Esse é um desafio do poder público, dos empresários e de toda a sociedade. Como gerar emprego para todas essas pessoas? Com emprego, diminui habitação irregular, diminui insegurança...Sabe, um desafio que temos é quanto à narrativa que se tem sobre a Baixada. Como assim? As pessoas têm uma narrativa ruim sobre a Baixada, como se ali só tivesse congestionamento, dificuldade de acesso, insegurança, palafita. É um discurso sempre negativo. Isso atrapalha a imagem que se tem da Baixada. A região é muito bonita, com um turismo bom. Temos que mudar isso.. O senhor acha possível que o polo industrial de Cubatão passe a ser de transformação também, e não apenas de base? Estamos começando agora essa conversa com os empresários de lá, mas eu acho que é possível, sim. Esse momento de estudar Cubatão é um grande movimento que estamos fazendo. Temos que pensar que tipo de indústria vamos atrair, como cercar o polo, não deixar a cidade avançar mais pra dentro do polo. Eu preciso ter uma visão do polo junto com o empresariado, entender por que a Usiminas, por exemplo, não cresce a produção. Na primeira reunião lá, saiu que uma necessidade é ter mais áreas para estacionamento de caminhões. O senhor tem falado sobre transição energética, e esse é um ponto forte para a Baixada por conta do gás natural do pré-sal. O que o Estado pretende fazer para estimular esse uso na indústria e reduzir a reinjeção nos poços? O governador tem apostado nisso, é prioridade. Estamos convictos disso, até porque a energia de São Paulo é uma das mais caras.