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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Sacar FGTS e aplicar por pouco tempo pode causar perdas

Com exceção da caderneta, que é isenta, renda fixa tem tributação que recua conforme dure o investimento

A aplicação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja retirada parcial o governo acaba de autorizar, deve ser muito bem avaliada para que a decisão não dê prejuízo. Aliás, antes de aplicar ou gastar no comércio, quem tem dívidas mais caras (juros altos), deve usar o FGTS para quitá-las.  

Para um volume de recursos baixo e que será aplicado por curto período de tempo, a opção mais indicada para quem vai sacar o limite dos R$ 500,00 do FGTS, de acordo com especialistas, é a caderneta.  

Para quem vai investir, um argumento sempre lembrado por quem defende a ideia de que o trabalhador assuma as rédeas desse dinheiro é que o FGTS remunera muito mal. Mas quem for aplicá-lo em produtos por curtos períodos terá descontos de impostos maiores na remuneração.  

O rendimento do FGTS é de apenas 3% ao ano mais a TR (Taxa Referencial, que neste momento está zerada), desempenho bastante abaixo de qualquer aplicação existente no mercado.  

A recomendação inicial é de que a renda fixa é o melhor caminho para aplicar o FGTS, pois essa modalidade de investimentos segue a taxa Selic, de 6,50% ao ano, mais que o dobro do rendimento do FGTS.  

O aplicador conservador vai encontrar um quarteto básico de ofertas: caderneta, CDB (Certificado de Depósito Bancário), fundos DI e Tesouro Selic.  

Dessas opções, a única isenta de Imposto de Renda é a poupança, que rende 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano (regra dos 70% da taxa Selic de 6,50%). Se a Selic cair na próxima quarta-feira, a caderneta passará a render menos.  

Caso a Selic recue para 6% ao ano, uma aposta que ganha força no mercado financeiro, a rentabilidade da caderneta cairá para 4,20% ao ano ou algo ao redor de 0,35% ao mês.  

Contudo, esse seria um rendimento líquido que cairá na conta do poupador a cada 30 dias, caso a taxa básica tenha uma redução de 0,50 ponto.  

As demais opções, como CDB, fundos DI e Tesouro Selic recolhem IR. A tributação é mais pesada para aplicações feitas por menos tempo.  

Alíquotas Regressivas   

A alíquota da tributação começa em 22,50%, para aplicação de até 180 dias, com intermediárias de 20% e 17,50%, e recua para 15% em investimentos por prazo acima de 720 dias. Quanto menos tempo o investidor deixar o dinheiro aplicado, maior será o imposto cobrado sobre o rendimento no resgate.  

O fundo DI, cujo desempenho costuma ser comparado com o da caderneta para avaliação da competitividade, tem como referência de rendimento a taxa Selic integral.  

Uma vantagem que poderá ser perdida ou neutralizada com a cobrança de taxa de administração, imposto de renda e até de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) se o dinheiro ficar aplicado menos de 29 dias.  

Descontados todos esses custos, uma aplicação por pouco tempo pode redundar até em rendimento negativo. 

CDB e Tesouro  

O CDB e o Tesouro Selic, comprado direto na plataforma do Tesouro Direto, também recolhem Imposto de Renda por alíquotas regressivas, como ocorre como fundo DI, mas não cobram taxa de administração.  

Quem aplica em CDB recebe uma porcentagem do juro CDI, versão privada da Selic, que caminha muito próximo da taxa básica definida pelo Banco Central. A remuneração depende em geral do volume de dinheiro ofertado e do relacionamento do aplicador com o gerente do banco, mas, para médio e pequeno investidor, o rendimento como CDB, descontado o IR, fica perto da caderneta.  

O Tesouro Selic remunera com a taxa Selic integral, hoje de 6,50% ao ano, mas a tributação por alíquotas escalonadas, de acordo como tempo de aplicação, pune com rendimento baixo quem deixar o dinheiro investido por pouco tempo. Olhando para as características de cada opção de renda fixa, o trabalhador que sacar parte do FGTS e quiser mais rentabilidade em uma aplicação financeira não tem muito que inventar.

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