[[legacy_image_152186]] A saída para atrair investimentos ao Centro de Santos pode começar com a transformação de prédios comerciais em residenciais. Isso seria possível com a técnica chamada retrofit, já aplicada em grandes prédios históricos de São Paulo e do Rio de Janeiro, com o Edifício Martinelli, na Capital, e o Edifício Galeria, no Rio. Essa é a opinião do vice-presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob) e sócio da Engeplus, Roberto Barroso Filho. Na entrevista a seguir, ele também diz que é preciso dar incentivo a construtores de fora da Baixada. “As construtoras da região não têm know-how para construir imóveis populares, temos que ter essa humildade. É uma construção completamente diferente”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como o Centro de Santos pode receber mais empreendimentos imobiliários e investimentos?Acho que o retrofit é uma boa opção para começar. Com ele, pode-se ocupar um prédio comercial e transformá-lo num residencial adaptado. No entanto, essa é uma reforma bem cara, principalmente por conta da fachada. E também há adaptações elétricas, hidráulicas, mas é um caminho. A questão de todo centro histórico são as regras, que precisam ser afrouxadas. Em Santos, é o Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos) quem cuida disso. Infelizmente, hoje, o Condepasa não tem um membro da construção. Enquanto não houver incentivo, será difícil. E não é só isentar impostos, como IPTU e ISS, é preciso dar um incentivo no potencial construtivo. Senão, dificilmente uma construtora grande da Cidade vai para o Centro. Por quê? Primeiro, é difícil construir no Centro por essas amarras em relação à legislação municipal, principalmente do Condepasa. Segundo, os construtores de Santos não têm expertise para construir imóveis populares. Não temos esse know-how, é a pura realidade. ‘Ah, mas é a mesma coisa’. Não é. Nós fazemos imóveis de 10, 12 mil metros quadrados. Não sabemos fazer de três, quatro mil metros. Além do retrofit, então, qual seria a saída? Poderia haver desapropriações de casas e espaços antigos, chamar uma grande empresa da Capital, que tenha expertise e só faça isso (moradias populares), dar um bom incentivo e ela viria para dar o exemplo. Alguém precisa abrir o caminho. Tenho certeza que haveria um grande desenvolvimento. Mas há outras questões...Sim, ainda há detalhes dentro dos tombamentos que impedem muito o desenvolvimento. E há reclamações de preços, também. Sim, o que dificulta são os valores pedidos pelas casas e prédios, além do terreno. Santos possui preços de terrenos caríssimos, só não são mais caros que São Paulo. A técnica de fundação aqui custa 5% a mais do que em qualquer outro lugar do País. Mas, quando se fala em revitalizar o Centro, é necessário pensar ainda em segurança, iluminação. Falta um Plano Diretor de desenvolvimento do Centro, com a participação de todos. Falando um pouco de mercado, as projeções são boas para 2022?O mercado vem vivendo um período muito bom desde meados do segundo semestre da pandemia (em 2020). Nos primeiros meses, teve aquele susto. É redundante falar isso, mas o home office é uma realidade que ficou. As pessoas querem vir para Santos em busca de qualidade de vida. Tanto aqueles que podem trabalhar de casa, como os que estão se aposentando. Com a alta da taxa básica de juros, a Selic, os preços subiram? Sim. Houve lançamentos, antes da pandemia, sendo vendidos a R\$ 7,5 mil o metro quadrado, apartamentos de médio e alto padrão, que agora estão em torno de R\$ 12 mil, mais de 50% em dois anos. Os materiais subiram muito, os terrenos subiram. Um terreno que custava R\$ 6,9 mil o metro quadrado, hoje está a quase R\$ 9 mil o metro. Tudo aumentou. Ferro aumentou 100%, concreto 70%, tubulações mais de 50%. E a valorização acompanha... Quem comprou imóvel há dois anos, antes da pandemia de covid-19, teve valorização de 30% sobre o que pagou. Foi um dos investimentos que mais deram retorno nesse período.