[[legacy_image_64084]] Cada mês de medidas mais duras de isolamento social para conter o avanço da covid-19 no País poderá significar, em média, um ponto percentual a menos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A redução do impacto econômico dependerá da adoção de ações compensatórias para cidadãos e empresas, pois as medidas de distanciamento, no atual estágio da pandemia, são “inescapáveis”. As conclusões são do mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) produzido pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado que tem por objetivo ampliar a transparência nas contas públicas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A estimativa de queda de um ponto a cada quatro semanas se baseia na hipótese de que as atividades produtivas sejam reduzidas em 50%. Nesse exemplo, o PIB, cujo crescimento para este ano é estimado em 3% pela IFI, aumentaria 2%. Outros exemplos: se o corte na produção fosse de 25% por um mês, a alta prevista para o PIB neste ano seria de 2,5%; se a diminuição atingisse 75% durante 30 dias, o Produto Interno Bruto avançaria em torno de 1,5%. No ano passado, a produção de riquezas teve a terceira maior redução de sua história, com -4,1%, abaixo apenas das de 1990 e 1981. Mas, segundo o RAF, “não fosse o impulso gerado pelo pagamento do auxílio emergencial, cujo gasto somou R\$ 293,1 bilhões entre abril e dezembro do ano passado (...), o impacto negativo sobre o PIB decorrente da retração do consumo das famílias teria sido ainda mais expressivo”. Para este ano, o Governo está autorizado a despender até R\$ 44 bilhões com uma nova rodada de auxílio emergencial, a ser pago por quatro meses a partir de abril e em parcelas máximas de R\$ 375,00. O valor total corresponde a 18% do que foi despendido no ano passado. No entanto, o Executivo poderá prorrogá-lo. Na tentativa de elevar o montante, governadores de 16 estados — entre eles, João Doria (PSDB) — enviaram uma carta aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para pedir que a retomada da ajuda a pessoas mais vulneráveis volte ao patamar de R\$ 600,00 e aos critérios de acesso vigentes em 2020. Na sexta-feira, porém, Pacheco declarou que a repetição dos valores pagos no ano passado será impossível. Recessão reversível O RAF aponta que a piora da pandemia tende a provocar, neste semestre, o que se chama de recessão técnica. É quando o PIB diminui por dois trimestres consecutivos. A situação poderá ser revertida no segundo semestre (de julho em diante), o que dependerá do “avanço da vacinação de parte substancial da população” e da “decorrente redução das medidas de afastamento social, hoje inescapáveis”. Em torno de 15 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina contra covid-19, aproximadamente 7% da população; e menos de 5 milhões, duas doses, menos de 2,5%. Outras ações Sem indicar data, o presidenteJair Bolsonaro confirmou, na quinta-feira, que será reeditado o Benefício Emergencialpara Preservação do Empregoe da Renda (BEm). Segundo o Governo, o BEm ajudou a manter 10,2 milhões de emprego e mais de 1,5 milhão de empresas. E o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a aprovação do Orçamento permitirá a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas, também sem prazo específico. Porém, o pagamento do abono salarial de 2020 para trabalhadores com carteira assinada e que ganham até dois salários mínimos (R\$ 2,2 mil), que começaria em julho, teve o início adiado para janeiro de 2022. A medida foi tomada para a liberação de R\$ 7,456 bilhões no Orçamento. Realidade do desemprego é pior O relatório da Instituição Fiscal Independente analisa que o desemprego, no Brasil, poderia ter chegado a 23,5% no final do ano passado caso se incluíssem pessoas subocupadas e desalentadas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pnad teve como resultado 13,9% de desemprego do último trimestre de 2020. O índice corresponde a 13,9 milhões de pessoas que procuraram trabalho e não conseguiram. Porém, não abrange 6,8 milhões de pessoas que trabalharam horas a menos do que gostariam e 5,8 milhões que desistiram de buscar emprego, diz o IFI. Menos ocupados O número de pessoas ocupadas, consideradas aquelas que têm idade a partir de 14 anos, caiu em 8,3 milhões, de 94,6 milhões no quarto trimestre de 2019 para 86,2 milhões nos últimos três meses do ano passado. Em termos proporcionais, 61,9% das pessoas em idade de trabalhar estavam ocupadas no fim do ano retrasado, e 56,8%, no término do ano passado.