[[legacy_image_58570]] A reforma de casa está mais cara. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço dos materiais de reparo em domicílio teve aumento de 11,8% no acumulado de 12 meses. De janeiro a maio deste ano, a alta é de 4,22%. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Entre profissionais da região que trabalham com reparos em casa, a opinião é de que houve uma média de 10% de reajuste nos preços dos materiais. O proprietário da Lumen, Roberto Alves Capella, que trabalha com luminárias, diz sentir esse percentual em todos os tipos de materiais. “No fim do ano passado teve muita falta de material. A indústria demitiu muito, o consumo aumentou e ela ficou despreparada para receber essa demanda”, afirma ele, que fornece lustres e iluminação para diversos cômodos da casa. A arquiteta Renata Rodrigues afirma que o perfil dos consumidores mudou na pandemia. Segundo ela, a classe B passou a reformar a casa para o home office. “Meu trabalho aumentou cerca de 30%. Metade das minhas demandas, hoje, são de pessoas que estão adaptando as casas para o home office. A outra é quem quer ambientes mais agradáveis porque está passando mais tempo em casa”, diz a arquiteta. Cimento dispara Segundo o IPC, a alta do grupo habitação (que inclui não só reparos, mas também custos de construção e aluguel) é de 3,78% no acumulado de 12 meses. Os valores são puxados tanto por produtos de início das reformas, como o cimento, que registra alta de 32,83% em um ano, quanto daqueles mais utilizados em acabamentos, como as tintas, cuja alta é de 14,71% em 12 meses. Segundo a pesquisa, outros produtos que puxam essa alta são os tubos (+28,94%), a argamassa (+12,82%), a areia (+6,18%) e o piso (+4,31%). Os índices quadrissemanais, que comparam uma semana com o mesmo período no mês anterior, registram a alta desses produtos da habitação. Na segunda quadrissemana de junho, a habitação registrou alta de 1,04% em relação ao mesmo período de maio. A manutenção dentro das casas dos consumidores puxou a alta, com 1,59%. Um dos itens que tiveram maior aumento neste período foi o piso, que ficou 2,33% mais caro na segunda quadrissemana de junho, na comparação com o mesmo período de maio. Comparação mensal Os dados de maio, na comparação com abril, já demonstram um crescimento dos custos das reformas em domicílio, que ficaram 0,72% mais caras em maio deste ano sobre abril. A alta do mês passado foi puxada pelo preço do piso, que ficou 2,11% mais caro, e da tinta, com 2,3% de preço maior. Setor faturou R\$ 155 bi em 2020 Mesmo com a pandemia, segundo dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o setor de varejo de material de construção faturou, no ano passado, R\$ 155 bilhões, o que representa um crescimento de 11% em relação a 2019. Neste ano, segundo a instituição, no entanto, o crescimento em 2021 deve ser de pelo menos 2%. Segundo o superintendente da Anamaco, Waldir Abreu, o consumidor que começou a reformar a casa no ano passado está diminuindo o ritmo. “O que percebemos é que houve estabilidade de vendas em abril e maio, reflexo dos reajustes de preços”. Abreu lembra que a associação não acompanha o preço na ponta, mas ele considera que o movimento de reajuste de preços afastou o consumidor das lojas. Apesar disto, os aumentos, segundo ele, já atingiram um platô. “Acreditamos num segundo semestre com reajustes não tão contínuos, que não chegarão a atrapalhar os resultados de vendas dos lojistas no fim do ano”, diz. De acordo com Abreu, a alta da inflação, somada ao reajuste da taxa básica de juros, a Selic, para 4,25% ao ano, deixa o cenário conturbado e o consumidor cauteloso. “Fica difícil para as pessoas manterem suas reformas nesse cenário”, conclui.