[[legacy_image_132680]] Consumidores que voltaram a consumir roupas, devido à retomada do convívio social, enfrentam uma inflação do vestuário mais em conta do que a da alimentação ou combustíveis ou mesmo a média indicada pelas pesquisas IPC da Fipe. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O setor do vestuário acumula alta de 4,76% nos últimos 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Fipe). A inflação desse setor está abaixo do IPC geral de igual período, de 9,96% e também do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 10,67% até novembro. Mesmo assim, na compra de roupas para o Natal, os consumidores pesquisam preços e pechincham. “É possível conseguir bons preços, mas tem que pesquisar”, afirma a autônoma Fabiana Elisabete, de 39 anos. Em busca de camisetas, vestidos e outras peças para os três filhos, pensando nas festas de fim de ano, ela diz ter encontrado bons preços. “Há promoções, mas precisa garimpar bem e verificar as condições de pagamento”, diz ela, que costuma pagar à vista. Neste ano, a estratégia também será esta, ainda que o 13º salário não esteja incluído no dinheiro que vai gastar nas roupas. “Esse dinheiro extra foi para dívidas, não consegui guardar para as compras de fim de ano. Mas à vista sempre dá para barganhar ou também parcelar, se não houver juros”, conta. A aposentada Rosa Moretti, de 70 anos, usa a mesma estratégia para garantir os melhores preços. Ela contou que pretende barganhar desconto para comprar uma camiseta para o marido. “À vista há chances maiores de conseguir desconto”. InfantilAs roupas para crianças são as que mais tiveram aumento, na visão dos consumidores. Os lojistas também sentiram essa alta com relação aos fornecedores. Segundo dados do IPC, as roupas infantis têm alta de 4,45% no acumulado dos últimos 12 meses. Todas os tipos de peças infantis pesquisadas pelo índice subiram de preço no mesmo período, sendo as maiores blusa (6,08%), camiseta (5,45%) e o macacão de bebê (5,27%). A gerente da loja infantil Du-Brás, Sônia Santos, diz que sentiu aumentos de até 40% em algumas peças e marcas de roupas. “Deixei de comprar pelo alto preço, que teria que ser repassado ao consumidor, inviabilizando a venda”, diz. O estabelecimento está há dez anos no Gonzaga, em Santos. Para o fim de ano, as expectativas são boas, no entanto, ela reconhece que essa época já estaria com a loja cheia. “A primeira semana de dezembro, no pós-pagamento, é crucial para ditar o mês. Por enquanto, o movimento está fraco”, diz. Para a empresária Lúcia Lordelo, proprietária da Quintal, há um esforço por parte dos lojistas para manter o otimismo, mas ela admite que os tempos estão difíceis. “Os preços das peças entre os fornecedores aumentaram, em geral, pelo menos 10%. Isso encarece a peça na vitrine, mas as vendas estão mais devagar do que esperávamos”, afirma. Segundo ela, a recuperação ainda não veio, mesmo em semana com a 13ª parcela já paga. InternetLúcia também atribui uma parte dessa falta de clientes em lojas físicas para o comércio on-line, que cresceu na pandemia e de certa forma substituiu as compras presenciais. “E há o retorno dos eventos que estão acontecendo lentamente. Se as pessoas não têm para onde ir, por que irão comprar mais roupas?”