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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Pré-sal paulista exigirá gasodutos

Malha ligará produção no alto-mar e consumo, da Grande São Paulo ao Brasil Central; investimentos crescerão na próxima década

A expansão de investimentos na produção da costa paulista da Bacia de Santos vai estar atrelada a uma gigantesca rede de gasodutos, ligando os campos em alto-mar a Cubatão e o Interior do Estado a Brasília e Goiânia.

Esses investimentos, com potencial para deslancharem até meados da próxima década, estão traçados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal que fomenta negócios na área de energia, que detalhou seus estudos no Workshop de Petróleo e Gás.  O evento foi realizado na terça-feira (15) pelo Instituto de Engenharia na Capital.

O projeto do gasoduto da Rota 4, ligando o pré-sal paulista ao Litoral, já tem mais de cinco anos e ainda não saiu do papel. Porém, ele será essencial para aproveitar o gás associado em larga escala ao petróleo.

Esse gás também é alvo de projetos por ser uma matriz energética mais limpa e barata e com um imenso mercado consumidor na Grande São Paulo.

Segundo o consultor técnico da EPE, Gabriel de Figueiredo da Costa, durante sua apresentação no workshop, a oferta de gás está apoiada na produção de Carcará, Norte de Carcará e Aram, este último com indicativos de grande quantidade de gás.

Não são apenas essas áreas que têm potencial para produzir no lado paulista da Bacia de Santos. Conforme A Tribuna publicou no último domingo (13), essa região sedia a nova safra de riquezas do pré-sal que pode beneficiar a Baixada Santista e que será tocada por empresas estrangeiras. 
Além dos campos de Carcará controlados pela norueguesa Equinor, a inglesa BP, a francesa Total e a australiana Karoon já começaram a investir na costa paulista.

De acordo com o consultor da EPE, além da ligação dos campos ao Litoral, será necessário construir terminais, pois a produção mais que dobrará em dez anos - dos 112 milhões de metros cúbicos diários do ano passado, serão 261 milhões de m³/dia em uma década.

Por isso, será preciso investir em dutos para escoar essa grande quantidade, que será acrescentada à produção que virá com mais quatro rodadas de leilão de novas áreas até 2021. 

Para viabilizar esses investimentos, é necessária aumentar o consumo. A produção de energia elétrica e as indústrias terão que migrar para o abastecimento por gás. Além disso, diz Costa, será preciso tirar barreiras tarifárias que dificultam o transporte entre estados. 

Costa afirma que a expansão do mercado de gás poderá levar gasodutos até o Brasil Central, passando por Ribeirão Preto (SP) e Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, chegando a Catalão (GO), onde há muita mineração, potencial usuária desse combustível.

Por último, o duto terminaria em Brasília e Goiânia, onde há forte incremento populacional. Ambas já reúnem hoje mais de 4 milhões de habitantes.

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