[[legacy_image_245405]] As unidades da Poupafarma estão de portas fechadas na Baixada Santista. Funcionários afirmam que receberam 20% do adiantamento no último dia 20 e o salário em fevereiro não foi pago. São mais de 2 mil trabalhadores em todo o Estado. Na região, são ao menos 1,4 mil, de acordo com o Sindicato dos Práticos de Farmácia de Santos e Região (Sinprafarmas). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Meu filho trabalha lá há quase sete anos. As férias agora de fevereiro não foram pagas. Foi dito aos funcionários que (a rede) ficará fechada até domingo, pura mentira (...) As férias dele já estavam programadas, porém. Dois dias após passar a data que estava no documento das férias, ele recebeu um comunicado que não tinham programação para pagar ele”, explicou a mãe de um funcionário, que prefere não se identificar. “Desde 21 de dezembro estão devendo o vale-alimentação no valor de R\$ 318,00, que está acordado na convenção do sindicato. Ou seja, além do valor de dezembro o valor de janeiro não foi pago. Na última sexta-feira, antes do quinto dia útil (terça-feira) avisaram que não pagariam nada porque não tinham os valores suficientes”, completou. Ainda de acordo com ela, o benefício do FGTS não é depositado desde setembro. “Uma vergonha, meu filho com quase sete anos de casa sem uma falta, cobria cargo de todo mundo na farmácia dele e agora sem um centavo no bolso e todos os seus direitos trabalhistas”, diz. Nas portas da Poupafarma há um aviso sobre retorno breve, entretanto, clientes já vinham sentindo falta de medicamentos e as prateleiras tampouco eram repostas. O problema acontece em Santos, onde está a maioria das lojas, inclusive a matriz, na Avenida Ana Costa, e nas outras cidades da Baixada Santista. A rede tem 83 unidades e 42 estão na Baixada Santista. Sem reposição Em Itanhaém, a vendedora de uma loja de cosméticos e perfumes que fica ao lado da unidade da Cidade, no Centro, disse que as portas estão fechadas faz dois dias. “Já vinha tendo problema de reposição, sem medicamentos. Tem um aviso dizendo que voltará em breve, mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu”. Em frente à unidade do Gonzaga, em Santos, o aposentado Rubens de Oliveira Junior, de 58 anos, se surpreendeu ao ver as portas fechadas. “Eu vinha todo mês, não sabia que estava fechado. Será que vai mudar de novo de nome? Eu havia percebido que os medicamentos não estavam sendo repostos, mas não sabia que estavam nessa situação”. Direitos Segundo o presidente do Sindicato dos Práticos de Farmácia de Santos e Região (Sinprafarmas), Giovani Guimarães, a entidade procurava a empresa desde o fim do ano por conta da falta de pagamento do vale-refeição. De acordo com Guimarães, o Ministério Público do Trabalho já foi acionado para mediar uma negociação, inclusive com rescisão indireta dos funcionários que já cabe, segundo ele, por conta da falta de pagamento do FGTS. “No domingo houve a informação de que as lojas ficariam fechadas uma semana. Mas depois já estenderam por mais tempo. E também foi suspenso o plano de saúde, conforme soubemos agora, o que é bem preocupante, pois temos diversos funcionários em tratamentos, alguns inclusive de câncer”, conclui. No site da Poupafarma, há um aviso de que as vendas on-line “voltarão logo” e a loja virtual passa por “reformulação programada”. RespostaEm nota, a Poupafarma informou que iniciou a implantação de um projeto de readequação de sistemas e do modelo de abastecimento, a partir de um diagnóstico operacional realizado com apoio de consultoria especializada. "Desse trabalho o grupo pretende evoluir num sistema multicanal, com forte ação das plataformas digitais desenvolvidas nos últimos dois anos. A plataforma de lojas físicas está sendo reavaliada e parte delas pode ser reformulada em um novo modelo de operação ou evoluir num contexto de franquias regionais. O mês de fevereiro representará um período importante dessa transição da estrutura de lojas. O grupo espera atrair novos parceiros de investimento em breve, apesar da crise de financiamentos do setor de varejo desde o início do ano e das altas taxas de juros. Nesse contexto de transformação, o grupo pretende reafirmar seu compromisso de atuar sempre com transparência e esclarece que continua trabalhando forte para preservar os colaboradores nessa transição, e também para o constante aperfeiçoamento no atendimento aos clientes".