Pix: Novo sistema muda envio de dinheiro e pagamentos

Meio criado pelo BC começa em novembro

A partir de 16 de novembro será possível transferir dinheiro de uma conta para a outra, de graça, em poucos segundos, por meio do Pix. O novo meio de pagamento, anunciado pelo Banco Central no começo do ano, vai permitir essas transações 24 horas por dia, sete dias por semana.

A mudança deve provocar uma perda de R$ 13 bilhões por ano aos bancos, o equivalente ao lucro do primeiro trimestre das principais instituições, segundo o especialista no setor bancário, Antônio Hermann. Já a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), afirma que o setor economizará R$ 10 bilhões. 

O Pix vai substituir duas lucrativas fontes de receita para os bancos, os principais meios de transferência de dinheiro, o DOC (Documento de Ordem de Crédito) e TED (Transferência Eletrônica Disponível), que custam em média R$ 10 cada ou têm uso limitado a poucas unidades gratuitas em pacotes mensais, que são pagos. Já os bancos virtuais costumam oferecer o serviço sem cobrar. 

Além de pessoas físicas, empresas também poderão usar essa forma de pagamento, pagando um valor irrisório: R$ 0,01 a cada dez transações. 

Para fazer as transações, serão três opções de acesso: informações bancárias (como é atualmente), Chave Pix ou QR Code. A Chave Pix é a mais simples, porque pode ser o número de celular, e-mail, CPF ou CNPJ. 

“Esse dado não precisa, necessariamente, estar ligado a um banco grande, privado. Pode ser uma fintech (startup financeira) ou um banco digital”, explica o jornalista Renato Cruz , editor do Inova.jor, portal especializado em conteúdo de tecnologia.

Sem cartão

Por exemplo, o consumidor poderá usar seu celular para mirar um QR Code no equipamento da loja e pagar a conta sem usar cartão de banco. 

No Pix, esse código pode ser de dois tipos: estático e dinâmico. O estático vai ter um valor definido antes da transação pela pessoa. Vai servir principalmente para transferir dinheiro para um amigo. O dinâmico é mais indicado para quando for fazer compras, porque ele vai permitir informações diferentes a cada transação.

Registro

A partir do próximo dia 5, os bancos e instituições financeiras vão começar a fazer os cadastros dos consumidores no Pix. A maioria já começou a realizar um pré-cadastro. 

“Importante que se fique bem atento neste momento aos golpes. Antes de fazer o pré-cadastro, é bom verificar com o gerente do banco ou instituição financeira”, alerta Cruz.

Os bancos já deflagraram a corrida do cadastro, porque cada usuário terá que escolher uma das informações para realizar esse adesão. Por exemplo, se você cadastrar seu e-mail no banco 1 não poderá usar o Pix com esse e-mail no banco 2. Somente será permitido uma das informações para ser relacionada à chave Pix. 

Cada usuário poderá cadastrar até cinco chaves (e-mail, telefone ou CPF representam uma informação de chave cada).

Sistema bancário sofrerá impacto com avanço do Pix

Especialista em mercado bancário, Antônio Hermann, sócio do Integral Group, afirma que a nova forma de transferir dinheiro e fazer pagamentos vai impactar diretamente nos bancos tradicionais. 

“Um levantamento aponta uma queda de R$ 13 bilhões no faturamento dos principais bancos privados do País com o Pix”, diz ele. O valor corresponde ao lucro que os cinco maiores bancos brasileiros tiveram no primeiro trimestre deste ano. “É uma quebra de paradigmas financeiro”, afirma.

Uma das principais mudanças é que isso pode ajudar a estimular a competição no mercado bancário, já que o Pix não vai exigir mais que se tenha apenas conta corrente tradicional.

O usuário pode relacionar sua chave a um banco digital ou até uma conta digital, como é o caso de aplicativos que fazem pagamento, como RecargaPay, PicPay e Mercado Pago.

Segundo o Banco Central, no ano passado, os cinco maiores bancos do País (Banco do Brasil, Caixa, Santander, Bradesco e Itaú) concentravam 83,7% das operações de crédito.

“Os serviços bancários no Brasil são de boa qualidade, no entanto, são muito caros. Com queda de receita, haverá aumento de competitividade, podendo sofisticar mais os serviços tradicionais. Essas mudanças já ocorrem, os bancos estão diminuindo agências. Até o fim do ano, 50% das agências devem fechar”, diz.

Futuro

Para os desbancarizados (sem conta bancária), que, segundo Hermann, são 40 milhões no País, O Pix facilita o dia a dia. Não só para transferir dinheiro, mas também para pagamentos. “Não vai demorar muito para pagarmos tudo com o Pix. Desde o pão na padaria de manhã até as roupas em lojas de rua. Os bancos terão que se reinventar”.

 

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