Esta semana foi de relativa calmaria no mercado financeiro, comparando-se com a tensão que se vivia desde a quarta-feira de cinzas. Muitas surpresas ainda podem acontecer, mas o certo é que a recessão já está entre nós, nos EUA, na Europa. Na China, não se sabe. A paralisia do isolamento não vai durar muito, mas o ritmo dos passos depois disso será recessivo. E, assim, o investidor precisa olhar para seus ativos. A renda fixa vai continuar decepcionante porque os juros baixos são uma arma dos governos para estimular o crédito e o consumo. Na bolsa, as ações vão ficar ao sabor da crise do pós-coronavírus. As empresas estarão machucadas, descapitalizadas, com dívidas e atrás de um consumidor arredio, com medo de comprar devido ao risco do desemprego. Claro, isso vai bater na bolsa. Tem que ficar longe dela? Não, pelo contrário. Alguns setores essenciais continuarão resistentes, como o da energia elétrica. O calote na conta de luz não pode ser punido pelo corte, mas logo esse benefício vai acabar. Nas commodities, Petrobras vai depender do mercado mundial, que é a valorização do barril. Se EUA, Europa e Japão tiverem recessão profunda, não há como o petróleo subir. Coitada da Petrobras. No segmento de carnes e minério de ferro, quem manda são os chineses, que saírão da crise primeiro – se não houver reinfecção. Se a China avançar, essas commodities poderão dar algum ganho. Se o governo de Xi Jinping anunciar um plano de estímulo baseado em obras públicas, a Vale vai vender mais minério. No Brasil, resta saber se esse governo atabalhoado e dividido conseguirá imprimir ritmo a suas medidas de estímulo. Se sim, os bancos vão emprestar muito. Mas o calote pode aumentar – frente a isso, eles fazem provisão (reservam dinheiro que antes emprestariam) e seus lucros caem. Tudo vai depender do emprego (desemprego, mais especificamente). Ele já estava alto antes do coronavírus – imagine agora. O investidor deve observar que o mercado é imediatista – cobra resultados rápidos. Por isso, empresas ágeis sairão na frente em valorização. O caixa robusto será fator de sobrevivência. Além disso, lembre-se que a bolsa precifica por natureza – busca um preço que considere justo. Se não estiver claro para onde uma ação ou todo o mercado vai, ela continuará volátil. Diversificação Aqueda da bolsa, de 36% no primeiro trimestre, anulando a alta de 30% em todo o ano passado, gera muito medo. Mas não precisa ignorá-la. Mantenha até 90% de seus investimentos em renda fixa, como fundos e CDB, e o restante bem diversificado. Há inúmeras opções para todo tamanho de bolso – ações, fundos de ações, multimercado, câmbio e ouro. Cada um tem seu macete. Por isso, é preciso estudar muito.Nunca se esqueça de considerar custos e impostos. Fundos em queda Após a coluna da semana passada, leitor reclama que o saldo de seu fundo DI cai há dias. É reflexo das tensões desde o ano passado. Os juros, que já tinham caído bastante, estão em queda devido aos estímulos dos governos. Mas o mercado projeta alta no médio prazo, o que desvaloriza as cotas atuais. Se fosse o contrário – juros tendem a cair –, os fundos ganhariam. Tenha paciência, porque há vários ativos perdendo. Se seu fundo é DI e tem taxa de administração, reavalie. Corte miudezas Tempos difíceis são ótimos para rever gastos e poupar. Mire pequenos gastos. Comece pelas tarifas bancárias – avise o gerente que você tem opções mais baratas ou gratuitas na concorrência. Economize no Uber – ande a pé, pedale ou vá de transporte público. Está usando seu streaming de música ou séries para valer? Desligue seu ar-condicionado antes de sair de casa. No pós-coronavírus, nada de extravagâncias em restaurantes e baladas. A crise vai ser feia.