[[legacy_image_95604]] Mais feroz do que as três geadas já registradas neste inverno no Brasil e do que a atual falta de chuvas, a pandemia de covid-19 é descrita como o mais impactante acontecimento dos últimos anos no setor do café, avalia o classificador do produto Moacir Delfim Leite Soares. Segundo ele, ainda não há perspectiva de melhora da crise atual para quem trabalha com exportação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Há 47 anos na área e manager da Unicafé, empresa cuja principal atividade é a exportação de café, ele diz que o momento atual é o pior que já viveu. “Comecei aos 15 anos, e vi a geada de 1975, que destruiu a população cafeeira do Paraná, maior estado produtor de café na época. Foram muitos outros acontecimentos também. Mas o mais impactante da vida toda foi quando começou a pandemia”, explica Moacir. Ele lembra que o País não poderia parar de exportar café e os funcionários não teriam como atuar de casa, já que Moacir e sua equipe têm de ver e provar café diariamente. “O começo da pandemia foi o pior momento que vivi e, por ela, vivemos hoje uma crise na área do café por falta de espaço em navios para exportar o produto”, diz ele, completando que os fretes ficaram mais caros. Moacir explica ainda que, apesar do momento atual ser ruim para os exportadores, não há previsão para que isso termine. “É a primeira vez na história que, no mesmo inverno, tivemos três geadas, o que subiu o preço do café. Agora, temos ainda um período de seca. Tem sido um estresse para não deixar a peteca cair”, afirma o classificador de café. Em 2020, o Brasil teve uma produção recorde de 70 milhões de sacas. Para este ano, a previsão é de 55 milhões. “O café é sujeito a chuvas e trovoadas. Não basta ser um classificador ou exportador de café. É preciso entender mais de agricultura, meteorologista, ser um pouco engenheiro agrônomo. É preciso estar sempre ligado, a informação é tudo”, diz o manager da Unicafé. Santos O Porto de Santos é responsável por 78% de toda a exportação de café do Brasil, explica Moacir. “O Brasil também é o principal produtor e exportador de café do mundo, além de segundo maior consumidor, só atrás dos Estados Unidos. O País é responsável por 40% de tudo o que se fala de café no mundo e entre 5 milhões e 6 milhões vivem do café por aqui”. Aos 63 anos, quando lembra do que viveu na profissão, ele explica que algo não mudou: a classificação oficial de café segue a mesma no mundo todo. Mas, ao fazer uma previsão para o futuro da área, tem algo que jamais perderá sua essência, defende Moacir. “O classificador de café nunca vai deixar de existir enquanto tiver uma saca de café rodando o mundo”. Consumo Para o manager da Unicafé, a bebida é um vício que abastece sua xícara de cinco a seis vezes por dia. “Tive problema de enxaqueca, principalmente nos finais de semana, por falta de café. Ele deve ser acompanhado sempre de perto”, brinca ele.