[[legacy_image_331251]] O Brasil gerou 1.483.598 empregos formais (com carteira assinada) no ano passado segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Em comparação com os 2.013.261 postos criados em 2022, o saldo ficou 26,3% menor. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O resultado de 2023 decorreu de 23.157.812 admissões e de 21.774.214 demissões. Em dezembro, o saldo ficou negativo em 430.159 vagas, após a criação de 125.027 postos em novembro (dado revisado ontem). O mercado financeiro esperava um novo avanço do emprego no ano, mas o resultado veio abaixo das estimativas de analistas consultados pela Reportagem, que indicavam abertura de 1.538 milhão de postos. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a desaceleração da economia no semestre passado contribuiu para que o ano fechasse com resultado abaixo do que havia sido projetado pela pasta em novembro - um saldo positivo entre 1,9 milhão e 2 milhões de vagas. “Houve desaceleração no segundo semestre. Se tivesse acelerado, ia ser maior a contratação”, afirmou. “Temos um problema de déficit muito grande, que vem, em grande parte, herdado do último ano do governo Bolsonaro”, disse. Marinho citou como desafios para o trabalho o alto patamar de juros e de endividamento, com impacto direto na renda, e um possível aumento da informalidade na agricultura. “Quanto mais o mercado for formal, maior será a segurança dos trabalhadores”, diz. “Há uma rotatividade extravagante (no mercado de trabalho). Está muito flexível para uma economia como a do Brasil”. SetoresA abertura das vagas de trabalho com carteira assinada foi puxada pelo desempenho dos serviços, com a criação de 886.223 postos, seguidos pelo comércio, que abriu 276.528. A indústria gerou 127.145, enquanto houve saldo de 158.940 na construção. A agropecuária registrou 34.762. Para o head de Pesquisa Macroeconômica da Knitro Capital, João Savignon, os dados são condizentes com a desaceleração da atividade econômica. Segundo ele, o País vem de uma criação acima de 2 milhões de empregos formais em 2022, desacelera agora para pouco menos de 1,5 milhão e “deve seguir nessa tendência”. “Não é que teremos um mercado de trabalho frouxo agora, é arrefecimento”. A Knitro projeta saldo líquido positivo de pouco mais de 1,2 milhão de vagas no Caged neste ano. Desaceleração suaveO economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, prevê desacele-ração para um saldo de 1,1 milhão de vagas neste ano. Para ele, os resultados do Caged em dezembro corroboram a visão de desaceleração suave do trabalho. “As contratações totais cresceram 1,2% em dezembro, para 1,935 milhão, nível historicamente alto. Em média, houve incremento mensal de 0,8% nas admissões ao longo de 2023”, afirma.