Pagamento da conta de luz passa a ser critério para concessão de crédito

Inclusão das concessionárias de energia faz parte da terceira onda de compartilhamento de informações com os birôs de crédito operadores do banco de dados do Cadastro Positivo

O histórico de pagamento da conta de luz passa a ser um dos critérios de análise para quem busca uma linha de financiamento. A medida está amparada na inclusão das concessionárias de distribuição de energia elétrica no Cadastro Positivo, que usa dados do sistema bancário para análise dos clientes que pedem empréstimos.  

A adesão do setor foi formalizada nesta terça-feira (18), por meio de um entendimento das associações Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e Nacional dos Bureaus de Crédito (Anbc). O cadastro positivo funciona no País desde janeiro, sendo instrumento usado para análise da concessão de crédito com base ao ranqueamento dos bons pagadores. 

“É muito difícil encontrar um mercado de crédito que funcione a contento sem um histórico de informação sobre os tomadores de crédito compartilhado com todos os potenciais credores. O Cadastro Positivo traz compartilhamento seguro da informação, o que, pela experiência internacional, fará as taxas de juros caírem”, avalia o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central (BC), João Manoel Pinho de Mello. 

Conforme o acordo, a energia elétrica é um dos serviços públicos mais universalizados, atingindo mais de 200 milhões de pessoas. Segundo estudo do setor de birôs de crédito, a entrada das informações das concessionárias de energia elétrica no Cadastro Positivo pode incluir até 23 milhões de brasileiros (ou 25% da população sem conta em banco), impulsionando o mercado de crédito.  

“Muitas pessoas, embora paguem regularmente a conta de serviços continuados, como o de energia elétrica, são excluídas do mercado de crédito por falta de informações suficientes para uma avaliação de crédito”, cita a Anbc, por meio de nota. 

Para o presidente da Abradee, Marcos Madureira, o Cadastro Positivo tornará “a conta de energia um instrumento de cidadania ainda mais ampliado”. Cita para isso o fato de o histórico de pagamentos da fatura de energia compor a base de dados na concessão de empréstimos e produtos financeiros. “A fatura cidadã, para muitos brasileiros, será o instrumento de garantia de crédito no sistema financeiro”, observa.  

Terceira onda 

A adesão dos distribuidores de energia compreende a terceira onda de compartilhamento de informações com os birôs de crédito operadores do banco de dados do Cadastro Positivo (Boa Vista, Quod, Serasa e SPC). A primeira incluiu as instituições financeiras, seguidas pelas empresas de telecomunicações.  

A entrada dos dados das distribuidoras no sistema deve variar entre cada concessionária e dependerá do prazo individualizado de acordo com a necessidade e maturidade sistêmica de cada empresa para adequação das medidas de segurança no envio e recebimento dos dados, de ponta a ponta. Mas a estimativa é de que este processo dure, em média, seis meses.   

“A base do Cadastro Positivo são as informações que também irão compor o cálculo da nota de crédito, que leva em conta os hábitos de pagamento e o relacionamento entre empresas e consumidores com o mercado. A entrada dos dados dos distribuidores de energia elétrica irá expandir e democratizar o mercado de crédito, estimulando a atividade econômica e trazendo bem-estar social”, afirma o presidente da Anbc, Elias Sfeir. 

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