Onde Investir: Rumo do Tesouro Selic

Segundo economistas, o Banco Central poderá esticar a Selic nas próximas duas reuniões em até dois pontos

Alternativa aos insatisfeitos com a caderneta de poupança, o Tesouro Selic se torna mais interessante com a subida dos juros básicos de 2% para 2,75% ao ano. O título, como o nome indica, paga uma remuneração bem parecida à da Selic mais uma taxinha por volta de 0,2%. Porém, segundo economistas, o Banco Central poderá esticar a Selic nas próximas duas reuniões (5 de maio e 6 de junho) em até dois pontos (um ponto e depois um ponto ou 0,75). Nessas apostas, a Selic iria para até 4,75%. Já o Boletim Focus, que são as previsões do mercado colhidas pelo Banco Central, prevê Selic a 5% no final do ano, ganhando por muito pouco do IPCA, que chegaria a 4,9%.

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Essa comparação é importantíssima para o investidor. O IPCA dos últimos 12 meses está a 5,2%, superando a atual Selic (2,75%). Essa mudança não significa que o Tesouro Selic se tornará o investimento da moda – na prática, a rentabilidade continuará de subsistência, mas sem ser derrotada de longe pela inflação. O que interessa é que o Tesouro Selic é seguro, o principal objetivo por ser reserva de emergência – investimento que fica disponível para o que der e vier (cobre prejuízos com multas, desemprego, doenças, morte na família, assaltos).

No ano passado, devido a distorções com a pandemia, esse título chegou a dar rentabilidade negativa e fez alguns leitores questionarem assustados a coluna. Porém, o rendimento pela taxa Selic mais uns 0,2% está garantido se você fizer o resgate no vencimento, que é o ano que vem colado ao nome do título (Selic 2024, 2025 ou 2027). Entretanto, se o mercado está tranquilo ou sem grandes abalos, a venda pode ser feita normalmente a qualquer momento. 

Não é o caso dos outros títulos, como Tesouro IPCA, se vendê-los antes do vencimento (lembre-se, a taxa prometida na compra está garantida só para a data final). Resgatando antes, você vai receber o valor do momento e não do prazo final, o que pode resultar em ótima rentabilidade ou prejuízo acentuado. Quem faz isso, precisa contar com a assessoria de sua corretora ou entender como funciona o mercado do Tesouro. Há uma regra geral de rentabilidade: quando há uma tendência de alta dos juros (como agora), o preço do papel que se tem em mãos perde valor. Se há situação contrária (tendência de queda dos juros), ocorre o inverso – os atuais papéis valorizam.

Tesouro IPCA

Tesouro IPCA é para quem pensa no longo prazo, como aposentadoria. Ele é um título híbrido, com juros prefixados (arriscado se os juros estão em alta) mais IPCA. Como a inflação subiu, as corretoras sugerem vender agora para embolsar a alta. Segundo o Tesouro, o título de 2035 nos últimos 12 meses rendeu 16%. Entretanto, no último trimestre, quem comprou 2045 e vendeu teve perda de 14%. Se vai segurar o IPCA até o vencimento, compre 2026, sugere o Valor.

Como fica a caderneta

Como a Selic voltou a subir, a caderneta também passou a render mais – a poupança paga 70% da Selic. Por isso, se os juros básicos chegarem a 5% ao ano em dezembro, a partir desse mês o rendimento anual será de 3,5%. Como a Selic agora está a 2,75% ao ano, a poupança vai remunerar 1,925% para os próximos 12 meses. Mesmo assim, a caderneta continuará bem atrás da inflação, por isso, considere estudar Tesouro Selic ou outros investimentos.

Caderneta x Tesouro Selic

Mesmo rendendo pouco e sob ataques da propaganda das corretoras, a caderneta continua a seduzir o investidor. Se você tem medo ou se sente desconfortável em tentar o Tesouro Direto, veja se o ganho a mais compensa seu sofrimento. Segundo o simulador da Modalmais, na poupança R$ 1 mil renderiam daqui um ano R$ 35,91 e no Tesouro Selic, por volta de R$ 50 (haverá 20% de IR). A diferença não é tanta para quem estão tão inseguro, mas para R$ 10 mil serão R$ 359 x R$ 510.

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