[[legacy_image_211975]] Com a retomada do turismo, a oferta de voos no Brasil aumentou e a expectativa do mercado é que continue crescendo. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), houve um crescimento de 28,5% em julho, em relação ao mesmo período de 2021. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Representantes da Latam e Gol afirmam que a demanda reprimida - passageiros que deixaram de viajar nos períodos mais restritivos da pandemia e pretendem fazer alguma viagem agora - não contribui para alta dos preços. Para a diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, Aline Mafra, inclusive, a demanda reprimida (muitos passageiros no mesmo momento) estimula a oferta de voos. “Alavanca a reativação da oferta, por isso, a gente tem mais opções do que antes da pandemia”. O diretor de Canais de Vendas da Gol, Renzo Mello, notou um aumento na procura por passagens desde março, motivada pela demanda reprimida, e principalmente para destinos brasileiros - comportamento adotado ainda durante as restrições da covid. “O turismo doméstico aumentou e já estamos voando para mais destinos dentro do País do que antes da pandemia, ainda que sem a mesma quantidade de voos”, diz. Para Aline Mafra, este cenário é explicado pela “clareza das restrições sanitárias dentro do País”. Entretanto, o passageiro tem dúvidas sobre as regras no exterior. “Em solo internacional, não só cada país tem uma regra, como ela muda muito rápido. Essa incerteza fez com que as viagens dentro do Brasil fossem mais retomadas”. ExteriorNo entanto, a diretora da Latam garante que a demanda por destinos fora do Brasil está voltando. “Hoje a gente já pode comemorar a retomada do internacional também. Voamos para 20 destinos dos 26 que voávamos antes da crise. Isso é explicado pelas flexibilizações em outros países. O brasileiro ficou mais confiante de se arriscar em outro território”. Segundo a Azul, o mercado doméstico vem apresentando boa recuperação, registrando um crescimento de, aproximadamente, 30% na oferta de assentos entre janeiro e agosto, enquanto o mercado internacional apresenta recuperação de 65% de demanda em relação ao mesmo período do ano de 2019. A companhia justifica a diferença também com as restrições impostas nas fronteiras internacionais, como exigência de teste e comprovante de vacinação. A empresa diz que registrou crescimento de 30% na oferta de destinos em relação ao período pré-pandemia, prevendo estabilidade nos próximos meses. Preços de passagens desaceleram Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços das passagens aéreas desaceleraram neste ano, mas ainda acumulam uma alta de 74,94% nos últimos 12 meses até agosto, pesando ainda no bolso do consumidor. No período, a inflação pelo IPCA soma 8,73%. Porém, de janeiro até agosto, as passagens aéreas recuaram 1,53%, seguindo a tendência do segmento de transportes, impacto pela redução dos impostos sobre combustíveis. Para executivos de grandes companhias de aviação, a subida das passagens foi reflexo dos custos da indústria, que, entre outros fatores, incluem a variação cambial e o combustível. Durante participação na 49ª Abav Expo, evento da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), realizada em Olinda (PE), o diretor de Canais de Vendas da Gol, Renzo Mello, afirmou que o custo de “voar está muito caro” atualmente. “Desde o conflito na Ucrânia, o combustível de aviação foi altamente impactado. Chegou a custar o dobro de antes da pandemia e, provavelmente, o dobro dos orçamentos das empresas. Então, lamentavelmente, hoje o cliente sente esse repasse na passagem”, destacou a diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, Aline Mafra, durante o evento no Nordeste. Em nota, a aérea Azul afirma que os preços podem variar de acordo com trecho, sazonalidade, compra antecipada, disponibilidade de assentos, entre outros. “Fatores externos, como a alta do dólar, são elementos que influenciam nos valores das passagens”. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a cotação do dólar em relação ao real indexa mais da metade dos custos do setor, pressionando itens como o combustível dos aviões (querosene de aviação, o QAV), manutenção e arrendamento de aeronaves. “Historicamente, o QAV responde por mais de um terço dos custos totais de uma empresa, e o aumento do custo com o QAV tem sido registrado desde 2017. Isto, aliado à valorização da cotação do dólar em relação ao real, desafia o setor aéreo diariamente”, diz a nota da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Exterior A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que os dados da Anac apontam que a demanda por viagens para fora do país teve crescimento de 268% em julho, quando comparado ao mesmo mês de 2021. “A oferta registrou alta de 105% na mesma comparação”, diz a nota da Abear, que monitora o comportamento da média diária mensal de voos no mercado internacional em comparação com a operação aérea antes da pandemia. De acordo com a Abear, os dados mais recentes disponíveis pela Anac e compilados pela própria Abear mostram que, em agosto, a média diária de decolagens foi de 117 partidas, o que representa 59,6% em relação ao cenário pré-pandemia. A Abear diz que somente em 2023 deverá haver uma retomada integral dos voos ao exterior.