[[legacy_image_219252]] "No osso." É assim que o relator do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), descreve o espaço que existe para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprir as promessas de campanha. Ele avisa que a equipe de Lula terá de dizer o que pretende fazer agora ou deixar para depois. O relator é taxativo, porém, ao dizer que não há condições políticas de o Auxílio Brasil de R\$ 600 não ser resolvido agora com o Orçamento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista: Como o sr. conseguirá lidar no seu parecer com as inúmeras demandas depois dos cortes feitos pelo governo Bolsonaro? Teremos uma reunião com a equipe do presidente eleito e vamos esperar para ver quais as propostas para o novo Orçamento. Tem várias coisas que o Lula prometeu que temos de avaliar se será feito agora ou depois. Lula prometeu manter R\$ 600 (para o programa de transferência de renda). Os R\$ 200 adicionais só valem até 31 de dezembro. Em janeiro, as pessoas vão receber quanto? Com segurança, sou capaz de dizer que vão continuar com R\$ 600. Com segurança? Publicamente, o presidente assumiu esse compromisso. O Lula prometeu mais R\$ 150 para as mães com crianças de até seis anos de idade, o que dá um valor de R\$ 18 bilhões. Os R\$ 200 a mais dão R\$ 52 bilhões. Só aí são mais R\$ 70 bilhões. Não há espaço no Orçamento para isso. Mas existem outras promessas. O Lula disse que vai isentar o Imposto de Renda das pessoas que ganham até R\$ 5 mil. Isso dá uma perda de R\$ 21,5 bilhões. Estamos tratando de algo perto de R\$ 100 bilhões. O sr. acha que é possível discutir o Orçamento junto com um "waiver" (licença para gastar) em 2023? Tem de esperar o que eles vão propor. A minha postura é fazer tudo da maneira mais transparente possível com a maior participação de todos. Tudo que eles propuserem vou estudar, aprofundar e levar para a Comissão Mista de Orçamento e os líderes partidários, e fazer uma negociação das propostas do novo governo, do projeto de Orçamento que já tem aqui do velho governo e do Congresso. E ver o que o Congresso está querendo. O sr. acha melhor colocar no Orçamento só as promessas prioritárias como os R\$ 200 do Auxílio Brasil e deixar o resto para definir em 2023? Não tem condições políticas de esse assunto não ser resolvido. Imagina como entraria o Lula, presidente da República, descumprindo a sua principal promessa de campanha. Não tem como No PT, existem duas correntes: uma quer aprovar uma PEC com o "waiver" junto com o Orçamento, e outra prefere deixar para aprovar a mudança em 2023. Qual a direção? Eu só posso tomar qualquer decisão depois de ouvir. Eles podem vir com uma proposta acabada, 'queremos isso, isso e isso', e podem chegar com proposta nenhuma. É ver o espaço do Orçamento e o que pode ser feito. O que eu sei é que, até as próximas semanas, porque as emendas estão sendo feitas agora, o novo governo tem de dizer o que ele quer e o que ele vai tratar nesse Orçamento. Pelos números que o sr. já tem em mãos, dá para fazer o Auxílio de R\$ 600 reduzindo outros gastos, como as emendas do orçamento secreto de R\$ 19,4 bilhões? O espaço discricionário (despesas não obrigatórias) que tem no Orçamento é de R\$ 99 bilhões. E o que tem de investimento são R\$ 24 bilhões. Não tem espaço para nada. O Orçamento é engessado. Dentro desses R\$ 99 bilhões, estão as emendas e R\$ 24 bilhões de investimentos. O País pode ter menos de R\$ 24 bilhões de investimentos? É um escândalo. Estamos no osso. O novo governo vai ter de cumprir o compromisso público, terá de dizer como fazer. O que é prioritário, além do Auxílio Brasil? Para mim, o que é prioritário: Farmácia Popular, aumento de servidor e reajustar a merenda escolar. Tudo isso eu tenho de fazer de uma maneira que possa ser aprovado. Os deputados e os senadores querem os R\$ 19,5 bilhões livres do orçamento secreto? Milagre a gente não faz. Por que os parlamentares vão aprovar uma proposta que eu leve acabando com a RP9 (sigla do orçamento secreto)? Não vivemos de fantasia, mas de realidade. Se eu propuser isso, você imagina: como é que se aprovaria? Eu não vou propor isso. Não vivo de fantasia, vivo de realidade. O presidente Lula já deu declarações de que é contrário (ao orçamento secreto). Ele vai tratar desse assunto agora ou quando assumir a Presidência da República? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.