[[legacy_image_242417]] Com projeto ainda em desenvolvimento, o Governo Federal vai estimular a renegociação de dívidas, que hoje atingem cerca de 80 milhões de consumidores, segundo o Banco Central. A meta é lançar o Desenrola Brasil para atender principalmente famílias que recebem até dois salários mínimos (R\$ 2,6 mil), que formam a metade dos endividados no País. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 30,3% das famílias têm alguma dívida em atraso. Ainda segundo a pesquisa, 21,6% dos endividados estão com mais da metade da renda comprometida. Os dados são de novembro. Segundo o modelo do Desenrola divulgado até agora em pronunciamentos dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os credores terão liberdade para definir os descontos, entretanto, deve haver uma faixa mínima. O economista e doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Felipe Queiroz afirma que o Desenrola precisará ter um olhar especial para que as negociações sejam, sobretudo, sustentáveis a longo prazo para que o endividado consiga manter os pagamentos em dia. Segundo ele, o programa deve beneficiar muitas mulheres que são arrimos de família, especialmente as mães solo. “Essas mulheres são provedoras e sofrem uma marginalização histórica. É uma boa saída para quebrar o círculo econômico de endividamento”. Mais pobresDe acordo com ele, o programa tem aspectos positivos pelo foco em famílias mais pobres porque é a parcela da população que mais tem a renda comprometida com o consumo, motor da economia. “Os inadimplentes devem R\$ 301 bilhões, dos quais R\$ 215 bilhões são de dívidas fora do setor bancário. Essas pessoas devem contas de consumo, como água, luz, entre outras, o que as impede de viver minimamente”, diz. O consumo, explica ele, é basicamente sustentando pelas camadas mais pobres, que recebem até três salários mínimos porque boa parte dos salários se revertem em consumo, o que não acontece entre as faixas mais ricas da sociedade quando há aumento na renda. “Vejo a política (do programa) com bons olhos porque alimenta o gasto estimado. Segundo o Governo, há um fundo reservado entre R\$ 5 bilhões e R\$ 20 bilhões. Esse gasto retornará em tributação e investimento”, diz.