Muito além dos descontos: aproveitar bem a Black Friday exige cuidado e disciplina

Especialistas alertam para os riscos de comprar sem planejamento; Procon e CDC são aliados do consumidor

Por: De A Tribuna On-line, com informações de Egle Cisterna  -  23/11/18  -  15:33
Para economistas, resistir às tentações e comprar com planejamento é fundamental nessa Black Friday
Para economistas, resistir às tentações e comprar com planejamento é fundamental nessa Black Friday   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Para quem gosta de compras, esta sexta-feira (23) é dia de andar muito e navegar por sites para conferir se as promessas de promoções da Black Friday estão mesmo valendo a pena. A expectativa do mercado é grande: segundo a Ebit/Nielsen, a promessa é de que, apenas no comércio virtual, o faturamento chegue a R$ 2,43 bilhões este ano, 15% a mais do que em 2017.


Dados da Boa Vista SCPC reforçam a importância da data. Segundo o órgão, cerca de 100 milhões de pessoas devem adquirir um produto durante a data, e metade destas pretende gastar acima de R$ 600 - seis vezes mais do que os R$ 103 gastos, em média, no Natal do ano passado, por exemplo.


Mas cuidado: há quem se aproveite desta época para aplicar golpes. Páginas e e-mails falsos, ligações e mensagens são alguns dos meios usados por golpistas para ter acesso a informações pessoais, como números de cartões de crédito e dados bancários.


A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reforça a necessidade de atenção. Por exemplo, um e-mail com ofertas generosas pode ser falso e levar o consumidor para um link que deixe o computador ou o celular vulnerável.


“Aquele desconto pode custar caro. Desconfie das promoções cujos preços sejam muito menores que o valor real do produto, pois criminosos se utilizam da empolgação dos consumidores em fazer um grande negócio para coletar informações e aplicar golpes que geram grandes prejuízos”, alerta o diretor da Comissão de Prevenção a Fraudes da Febraban, Adriano Volpini.


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No entanto, de acordo com o economista Gabriel Sarmento, desde a primeira edição da Black Friday, em 2010, o brasileiro vem se habituando a explorar as ofertas de forma consciente.


"Nas primeiras edições, havia uma falta de hábito em pesquisar preços que pegava de 'surpresa' muitos clientes. Mas hoje, com a ajuda do Procon e de sites de reclamações e histórico de preços, isso foi minimizado. Além disso, a experiência adquirida tornou o consumidor brasileiro mais maduro nas suas decisões de compras", diz.


Pesquisar e planejar


Segundo Sarmento, a melhor forma de consumir na Black Friday é se planejando e, na hora certa, pesquisar bem os preços do que se quer adquirir. "A tecnologia está aí, a nosso favor, para nos ajudar a não cair em armadilhas. Pesquisar o histórico de preços a todo momento deve ser um hábito", afirma, completando que o pagamento à vista ainda é o jeito mais recomendado de pagar a conta.


"Já sabemos que nesta época os descontos são maiores, então, basta economizar entre janeiro e outubro para ir às compras", afirma.


Também economista, Marchione dos Reis Ferreira acedita que a atual situação da economia também torna-se um incentivo para que o consumidor não chegue tão desprevenido a datas como essa. "As pessoas tomaram mais consciência dos seus gastos, apesar de a economia estar dando alguns sinais de melhora".


Ele concorda, ainda, que o planejamento é importante para evitar ao máximo parcelar as compras, em uma época do ano próxima de despesas específicas que pesam no bolso das famílias, como matrícula escolar e IPVA. "Sem organização, o consumidor pode acabar ficando inadimplente na pior época possível", alerta.


Ambos recomendam, ainda, que se o parcelamento for inevitável, não se deve de forma alguma incluir juros na conta. "Nunca vale a pena", diz Ferreira. Sarmento vai além e lembra: muitas vezes, os encargos chegam a dobrar o valor da compra, consumindo todo o desconto que eventualmente o consumidor conquistou.


Hábito de pesquisar preços é uma das dicas mais importantes
Hábito de pesquisar preços é uma das dicas mais importantes   Foto: Carlos Nogueira/AT

Aliados


Mas mesmo durante este dia de grandes promoções, o Código de Defesa do Consumidor continua valendo e é um grande parceiro até mesmo nas compras virtuais.


Recomenda-se, nesses casos, que o consumidor imprima as condições da oferta, prazo de entrega e todas as informações possíveis para garantir que o que foi anunciado seja cumprido. Se algo der errado na compra, a lei garante sete dias para se arrepender e devolver o produto.


Já nas lojas físicas, é fundamental sempre ver as formas de pagamento disponíveis, a política de troca e pedir a nota fiscal.


Outro aliado importante é o Procon-SP, que está com atendimento especial para esta sexta, com um formulário no qual se pode registrar qualquer reclamação sobre a Black Friday até a próxima quarta-feira (28): www.procon.sp.gov.br.


No ano passado, as principais queixas recebidas pelo órgão foram de anúncios de produto ou serviço indisponíveis, maquiagem do desconto, mudança de preço ao finalizar a compra e site intermitente, congestionado ou bloqueado.


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