[[legacy_image_272695]] Menos de uma semana após a mudança no modelo de cobrança no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), já é possível notar a dança dos preços de combustíveis em postos da Santos. A alíquota, agora com valor fixo em R\$ 1,22 por litro em todos os estados, tem impactado na bomba e as primeiras altas são notadas pelo público. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o último levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 28 de maio (antes da alteração no ICMS, que ocorreu quinta-feira passada), o preço médio do litro da gasolina comum era de R\$ 4,98. Já o litro do etanol saía, em média, a R\$ 3,71. Ontem, a Reportagem percorreu alguns postos no período da manhã e viu preços de até R\$ 3,89 (etanol) e R\$ 5,39 (gasolina comum). Também ouviu a insatisfação dos consumidores. “Já é possível sentir a diferença. Normalmente, abasteço com etanol. Porém, nesses dias, estou colocando um pouco mais de gasolina. Abasteço, normalmente, a dois ou três quilômetros daqui e pago R\$ 5,00 na gasolina", afirma o operador de produção Paulo Sérgio da Silva Souza, que estava abastecendo seu carro em um posto localizado na Praça Visconde de Itaborahy, no Estuário. O motorista Félix Pacheco também mostrava contrariedade em relação ao aumento do combustível. “Abasteço com etanol e percebi essa variação. Havia abastecido no sábado e estava R\$ 3,39 (o litro). Agora, já custa R\$ 3,44. Está ficando problemático. Abasteço a cada dois dias, e o salário não acompanha essa mudança”. Quem utiliza a moto para trabalhar, então, mostra preocupação redobrada. “Sempre costumo colocar R\$ 20,00 por dia, para trabalhar em dois períodos. Há duas semanas, coloquei a R\$ 5,09. Agora, está a R\$ 5,39. É uma baita diferença”, afirma o entregador de aplicativo Lucas Pereira. O empresário Moacir David Júnior é ainda mais direto nas críticas. “Está um verdadeiro escracho, um descaso com o povo. Tem que existir um equilíbrio, uma justificativa. Afinal, o valor do combustível mexe com toda a cadeia de preços”. Outros custosJosé Camargo Hernandes, presidente do Sindicombustíveis Resan, sindicato que representa os postos de combustíveis da Baixada Santista, argumenta que, além da questão do tributo, os postos estão sujeitos aos aumentos praticados pelas distribuidoras. “Há aumento do preço de etanol anidro (álcool que vai misturado na gasolina) nos custos de transporte, armazenamento e operacionais das distribuidoras. Tudo isso impacta no preço que elas vendem para nós, que também fazemos nosso cálculos. Cada posto é independente, possui seus próprios custos operacionais”. Ele crê, no entanto, que toda movimentação que termine em aumento é ruim para o setor. “Quanto mais barato o combustível custar para nós, mais em conta pode ser vendido ao consumidor, levando-o a consumir mais. Qualquer aumento de preços é muito prejudicial”.