[[legacy_image_80319]] A nova rodada do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que já está disponível para ser solicitado, tem potencial para fornecer crédito para 44,5 mil negócios na Baixada Santista, segundo dados levantados pela Receita Federal a pedido de A Tribuna. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! De acordo com a consultoria IPC Marketing, que todo ano faz o levantamento IPC Maps, sobre potencial de consumo, a região conta com um total de 204.065 empresas – portanto, uma a cada cinco poderá pedir o empréstimo. O programa foi lançado no ano passado para socorrer a pequena empresa frente à pandemia. O dinheiro é emprestado pela Caixa e o limite é de R\$ 150 mil por CNPJ. Para saber se sua empresa está elegível, basta acessar este link. A Receita também enviou cartas aos empresários que têm direito ao crédito. O recurso, apesar da lentidão na liberação dos valores apontada por quem já o contratou, é uma boa saída para os empresários, na visão de especialistas. Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o Pronampe é a melhor política de crédito atualmente para os empreendedores menores, que são “o motor” da economia, mesmo com o aumento dos juros cobrados pelo Pronampe. Em 2020, a taxa era de 1,25% ao ano mais a Selic, na época, 2% ao ano). Agora, o crédito cobra 6% mais a Selic, agora de 4,25%. “A segunda onda da pandemia impactou fortemente os empreendedores, que viram no acesso a crédito uma saída para se manterem”, diz Melles. Antes de contratar, no entanto, é preciso ter atenção. Segundo o presidente do Sebrae, antes de buscar o crédito é necessário verificar as finanças da empresa. “No caso do crédito para pagamento das contas, o empresário precisa antes analisar se a organização financeira e o corte de gastos são suficientes para sanar essa necessidade”, diz. Essa avaliação, reforça ele, precisa ser feita com calma. Melles também indica procurar opções. “É fundamental, nessa hora, consultar mais de duas opções de crédito, porque há variação nas condições de concessão, taxas de juros, carência, entre outros aspectos que precisam ser analisados pelo empreendedor”. Para o economista Fernando Wagner Chagas, em caso de contratação, o Pronampe deve ser usado prioritariamente para investimentos. “Como aquisição de equipamentos e máquinas para impulsionar as atividades das empresas nesse momento de retomada da economia a fim de assegurar a sustentação dos negócios no médio e longo prazos”, diz. O especialista recomenda avaliação cuidadosa para evitar usar o dinheiro em algo sem uma recuperação no futuro. “E assim, ficar com um endividamento sem perspectiva de crescimento da empresa”, afirma ele. Segunda vez A empresária santista Maria Lúcia Franconere Caliman, de 54 anos, levantou recursos do Pronampe no ano passado e pretende contratá-lo de novo. A ideia é quitar os outros dois empréstimos que fez em bancos privados para capital de giro (caixa da empresa), com taxas maiores. “Estou pagando taxa de 2% ao mês, é muito alto. Porém, foi a saída que tive no momento”, explica ela, que assinou o último contrato há poucos dias. “Se eu soubesse antes, tinha dado um jeito de esperar (pelo Pronampe)”, diz. A empreendedora possui três lojas de confecção de roupas para ballet, figurino para teatro e fitness em natação - duas são em Santos e uma em Cubatão. Maria Lúcia conta que o faturamento ainda segue baixo, no entanto, está conseguindo manter as parcelas do Pronampe em dia - cinco delas já foram pagas. “Tive que me reinventar. Começamos a confeccionar máscaras, após meses fechados. Aprendi até a fazer live de vendas”, conta. Seus funcionários foram mantidos – duas delas, as mais experientes, estão há 25 e 30 anos no espaço, que existe desde 1990. “Sessenta por cento das minhas vendas eram de figurino. Tive que me reinventar e manter minhas funcionárias experientes. É uma mão de obra essencial”, afirma ela. Ainda assim, a loja sofreu cortes físicos. O antigo espaço com sua confecção, que era de 180 metros quadrados, está pela metade. Duas de suas funcionárias, do grupo de risco, seguem produzindo em home office. “Mandei as máquinas para a casa delas e elas produzem o mesmo que daqui da loja. A demanda está menor, também. Tive que readaptar e trabalhar em espaço mínimo e vendemos coisas para manter o negócio. Mas estamos esperançosos e temos que ficar, pois o pior já passou”.