[[legacy_image_204048]] Macrotendências mundiais vão pautar o rumo da economia nas próximas décadas. Entendê-las a partir de dados estatísticos, demográficos e de consumo representa o ponto central para o planejamento estratégico dos países, Brasil incluído. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em linhas gerais, esse é o recado dado pelo presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e vice-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Rafael Cervone, que esteve em Santos na última terça-feira, apresentando os resultados de estudo feito pelas duas entidades: Macrotendências Mundiais até 2040. O trabalho foi elaborado com base em mais de 300 estudos, projetos e pesquisas, e joga luz sobre as mudanças que devem impactar o mundo nas próximas décadas, nos campos da saúde, alimentos, energia, infraestrutura, urbanização, consumo, trabalho, segurança e entretenimento. Cervone esteve na região a convite da unidade Santos do Ciesp, presidido pelo empresário Erik Sanches. Para onde caminhar Segundo Cervone, o estudo ajuda a orientar os investimentos produtivos a antecipar a necessidade dos consumidores e a elaborar políticas públicas, inclusive, em relação à tecnologia. “A pandemia pode ser incluída no grupo de ‘choques’ que afetam a demanda e/ou oferta na economia, como os causados, por exemplo, por guerras ou catástrofes naturais. Dentre os impactos desse choque, houve a percepção do papel estratégico da indústria na saúde pública, segurança nacional, energética e alimentar. A importância da resiliência da cadeia de fornecedores tornou-se tópico urgente. Assim, entende-se que a pandemia poderá influenciar, em maior ou menor medida, as macrotendências mundiais”, diz. Algumas certezas, segundo Cervone, são ponto de partida para o estudo: o aumento da população e seu envelhecimento, e o crescimento da renda da população, por exemplo, que são cruzados com fatores sobre os quais ainda não há certeza absoluta, entre eles, a implantação de medidas para o desenvolvimento sustentável. Demografia Em sua apresentação, Cervone apontou algumas regiões do planeta onde o crescimento populacional se dará de forma mais intensa, como leste e sul da Ásia e na África abaixo do deserto. “A população vai crescer quase 20% até 2040, chegando a 9,1 bilhões de pessoas, com 14% de idosos. É preciso prestar atenção a esse público”, diz. Desenvolvimento sustentável é uma preocupação de todos os países, explica o presidente, e por esse motivo o Brasil se torna atraente para negócios com o resto do mundo. O presidente do Ciesp entende que, ao compreender as demandas mundiais e onde o Brasil pode se encaixar no atendimento a elas, surgem oportunidades para o País. “E a indústria tem papel fundamental nisso. A indústria 4.0 já é uma realidade, onde a tecnologia estará presente em todas as etapas”. Áreas estratégicas Cervone foi descrevendo cada uma das implicações no setor produtivo das nove áreas estratégicas até 2040. Na área de Saúde, com o envelhecimento da população, haverá mais demanda por home care, por exemplo, e pelos serviços hospitalares e de tratamentos. Para todas as áreas apontadas no estudo feito por Fiesp e Ciesp, Rafael Cervone destacou as providências que devem ser adotadas agora com o foco em aproveitar as oportunidades que surgirão. “É preciso promover novos padrões de tecnologia limpa, aumentar nível de eficiência energética, desenvolver infraestrutura de baixo carbono”, exemplificou. Mais medidas: na agricultura, intensificar o programa de baixo-carbono, e, nos transportes, promover eficiência energética.O estudo completo está no site ciesp.com.br. EntrevistaComo não permitir que o avanço da tecnologia atinja apenas uma parte da população? No Brasil, temos algo superdiferenciado: as pessoas, que são muito criativas. Há uma capacidade grande de adaptar estruturas para evitar o aumento do gap que, de fato, existe. O carro autônomo, por exemplo, no resto do mundo depende do 5G. Como não temos ainda o 5G em todo o Brasil, o carro autônomo aqui é feito sem depender disso. Com essa visão até 2040, onde entra o papel da indústria em encabeçar iniciativas e onde entra o Poder Público para realizar políticas públicas? A utilização do que estamos mostrando aqui afeta a indústria como um todo. Onde trava? Justamente nas políticas públicas. O Brasil é um dos poucos países do mundo que não têm uma política industrial. E estou falando de política industrial de verdade, horizontal, sem protecionismo, e que nos dê previsibilidade. Investimento não vem sem previsibilidade e segurança jurídica. Faltam os dois no Brasil, tanto na esfera federal como nas estaduais. Cresce no mundo e no Brasil a política de ESG, que impacta diretamente no valor de mercado das empresas. O senhor acredita que esse movimento pode acelerar de forma significativa a entrada do mundo corporativo nessa agenda mais sustentável? Certamente começa pela força e poder do consumidor. As novas gerações têm outros valores, nasceram com a informação na palma da mão, não querem só comprar um produto, mas entender a rastreabilidade da produção. E como isso passa pelo mercado financeiro também, se as empresas não tiverem práticas concretas, não obterão financiamento, por exemplo. A Baixada Santista tem o Polo Petroquímico de Cubatão e o Porto de Santos, dois eixos fortes da economia local e nacional. Que sinergias o senhor enxerga entre eles? O Ciesp Cubatão já me pediu uma reunião urgente para colocarmos esses macrodados e as tendências e fazermos um cruzamento, até para entedermos a descarbonização. Qual a vocação do Brasil nesse sentido? Podemos projetar novas soluções, por exemplo. Mas em relação a sinergia das duas áreas, o que o senhor enxerga nessa área? Total sinergia. Nós não teremos desenvolvimento econômico no Brasil sem uma infraestrutura adequada, e a logística de acesso ao Porto, as questões de custo e produtividade, os novos modelos, tudo isso é fundamental. Santos é fundamental para iniciar essa onda. Quais são os planos do Sesi/Senai para Santos? Estamos com aquele prédio na Ponta da Praia aguardando uma nova unidade há anos. Estamos nesse momento discutindo investimentos. Vamos começar a debater o orçamento de 2023 e estamos na fase de mapear as maiores demandas de alunos per capita das regiões. Santos está no nosso radar para resolver. Colaborou Carolina Marchiolli