[[legacy_image_214961]] A indústria paulista cresceu 2,6% em agosto, na comparação com julho, e ainda registrou alta de 4,5% sobre igual mês do ano passado. Os números da atividade industrial no Estado ajudaram a segurar a queda nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Eles podem ser explicados pela melhora da capacidade das fábricas em consequência da solução de problemas de falta de insumos em setores principais: automotivo, têxtil e químico/farmacêutico. A alta expressiva em relação a agosto de 2021 é explicada por uma base de comparação ruim, já que, na ocasião, a atividade industrial ainda sentia os reflexos da pandemia. Já no acumulado de 12 meses e desde janeiro, há duas quedas, de 4% e 1,7%, respectivamente. Apenas no Estado de São Paulo, a fabricação de veículos, reboques e carrocerias teve alta de 21,5% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado. Já a fabricação de produtos têxteis cresceu 29,6%, enquanto os farmoquímicos e farmacêuticos tiveram um incremento de 24,1% em sua produção. “O desempenho da indústria ainda estava bem fraco em 2021, por isso que os números são bastante expressivos quando realizamos a comparação atual, tem a base fraca e tem a comparação com o mês anterior que mostra a recuperação de alguns setores. E no caso de São Paulo, o peso dos números no Brasil é bastante expressivo. Isso mostra que o desempenho do Brasil só não foi mais negativo em função do desempenho da indústria em SP”, afirmou o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano. Ele explica que há uma fase de recuperação de cadeias produtivas, já que existia dificuldade de acesso a algumas matérias-primas. “A indústria conta com dificuldade em relação à política monetária do governo. As taxas de juros elevadas têm impactado na cadeia produtiva. A gente tem essa dificuldade da indústria se recuperar em função das características da política monetária do governo e também tem o problema com relação ao consumo”. De acordo com o coordenador de Competitividade da Indústria, Comércio e Serviços na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, Cristiano Siqueira, os números, mesmo sendo expressivos, não representam tendência de alta na atividade industrial nos próximos meses. “Se fosse mais homogêneo, com uma velocidade de crescimento meio parecida, todos os setores positivos, eu estaria um pouco mais confortável em dizer que talvez a gente tivesse uma tendência de crescimento um pouco sustentável. Mas o que eu vejo é que são vários dados negativos e um dado positivo em agosto. Me parece, nos setores que cresceram muito, recuperação de insumos para a produção e entregar ordens já feitas. E por outro lado, quando você olha um setor um pouco mais dependente do poder de compra e mais ligado à inflação, não está positivo”, destacou Siqueira. Importações de insumosDe acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), apesar do cenário internacional adverso, o volume de importações de insumos para a indústria química nacional teve elevação de 5,3% em agosto, o que representa a segunda alta mensal consecutiva. Em julho, as importações haviam crescido 8,4%. Cenário desafiadorSegundo o coordenador de Competitividade da Indústria, Comércio e Serviços na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, Cristiano Siqueira, o cenário é desafiador para os próximos meses. Ele explica que, ao mesmo tempo em que existe um ambiente externo mostrando preocupação com a possibilidade de uma recessão global no ano que vem, há sinais de que taxa de juros alta faz efeito na inflação, mas em algum momento bate em atividades como a indústria. De acordo com o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, a indústria vem sofrendo dificuldades e as taxas de juros são desafios nos próximos meses. “A indústria está com dificuldade em relação à política monetária do governo. As taxas de juros elevadas têm impactado na cadeia produtiva. A gente contam com essa dificuldade da indústria se recuperar”. Segundo Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a economia mundial está passando por um período delicado em termos de energia, sobretudo em decorrência do conflito na Ucrânia. “Os preços dos energéticos em geral (óleo, gás e eletricidade) têm subido de forma intensa, a confiabilidade de suprimento tem sido prejudicada e não há expectativa de uma solução em curto prazo, o que pode levar a Europa, inclusive, à necessidade de racionamento durante o pior período do ano (inverno)”, diz. Ferreira afirma que as indústrias química europeia e brasileira, que têm a base de produção ancorada em matérias-primas oriundas do petróleo, como nafta, sofrem diretamente com esse cenário adverso. No Brasil, cerca de 70% da nafta consumida e metade do gás vêm sendo supridos por importações. “Os preços do gás no Brasil antes do conflito custavam o dobro do americano e o triplo do europeu, mas esses valores estão sendo pressionados pela forte alta na cotação do GNL, cuja referência foi multiplicada por quatro nos primeiros seis meses deste ano e sem perspectivas de arrefecimento no curto prazo”.