[[legacy_image_136861]] O complexo industrial da empresa química Yara em Cubatão vai começar a substituir gás natural por biometano, a partir de 2023, em sua produção de fertilizantes. Com isso, o polo reduzirá em 80% as emissões de dióxido de carbono, que causam o efeito estufa no meio ambiente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Cidade é a que possui maior produção de amônia no Sudeste. A substância é usada na fabricação de fertilizantes na indústria de alimentos e emite os gases prejudiciais ao meio ambiente em seu processo químico. A novidade é fruto de uma parceria entre a indústria de fertilizantes norueguesa Yara e a Raízen, integrada de distribuição de combustíveis e geração de energia. A Yara adquiriu 20 mil metros cúbicos de biometano por dia. O insumo, que é derivado do biogás e produzido a partir de resíduos orgânicos, será disponibilizado em escala comercial na rede de distribuição (grid), com fácil acesso para o complexo de Cubatão. Esse é o primeiro movimento da empresa para produzir a amônia verde, que diminuiu as emissões de carbono. A partir daí, outros produtos sustentáveis serão afetados, como nitratos para aplicação industrial e fertilizantes nitrogenados. Segundo o vice-presidente de Soluções Industriais da Empresa, Daniel Hubner, uma das principais vantagens do biometano é o potencial que o Brasil apresenta. O País está entre as maiores potências agropecuárias do mundo, que resulta na produção de uma enorme quantidade de resíduos orgânicos com potencial de geração de valor. Globalmente, a Yara já desenvolve outros projetos de amônia verde - por exemplo, baseados em energia eólica, energia solar e energia elétrica hídrica -, porém, esta é a primeira iniciativa utilizando o biometano, considerado a base para uma economia circular. De acordo com o executivo, Cubatão tem vocação de ser vanguarda na descarbonização que a empresa está seguindo de forma global, cujo desafio é se tornar neutra para o clima até 2050. Isso porque a amônia é responsável por quase 2% das emissões mundiais de dióxido de carbono, que causam o efeito estufa. Segundo Hubner, o complexo de Cubatão já está pronto para trabalhar com o biometano. “A unidade está muito bem posicionada para atender os dois mercados, tanto o de fertilizantes quanto o de soluções industriais, apoiando a descarbonização da agricultura e da indústria química. A planta apresenta inclusive capacidade de exportação, com diferenciais que impulsionam seu potencial, como fácil acesso à rede de distribuição, diferentes modais logísticos, mão de obra, entre outros fatores”, afirma. Subida e estabilidadePara o executivo da Yara, 2021 deve fechar com crescimento em torno de 10% no mercado de fertilizantes, com volume de entrega de mais de 40 milhões de toneladas. Em 2020, o setor cresceu 12% em relação a 2019. Para 2022, no entanto, é esperada uma estabilidade. “As incertezas externas que permeiam o próximo ano, e em especial a próxima safra 2022/23, em relação à indisponibilidade global de matérias-primas e o impacto direto no mercado de fertilizantes, são os motivos pelos quais é esperada uma estabilidade nos números, após dois anos de crescimento acima de 10%”, diz Daniel Hubner. Importações em altaAs importações de fertilizantes devem crescer 17% neste ano, na comparação com 2020. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a previsão é de 44 milhões de toneladas de insumos importados. “O setor de fertilizantes conseguiu fazer uma ginástica para produzir mesmo com as restrições e entregar ao produtor rural dentro do tempo e na forma prevista, permitindo plantar e colher dentro do esperado, o que deve resultar em safra recorde neste ano”, afirma o diretor da Anda, Ricardo Tortorella. O Brasil depende de importação no setor, com 85% de importação e 15% de produção nacional. Neste ano, mais precisamente a partir de agosto, segundo Tortorella, houve ameaça de oferta por conta de problemas geopolíticos. “Um dos insumos mais importantes para o Brasil é o cloreto de potássio, que vem da Bielorrússia. O país sofreu sanções econômicas pelo momento político que passa e isso nos traz riscos”, afirma o executivo. O País vive uma ditadura há 27 anos sob comando de Aleksandr Lukachenko e tem sofrido sanções econômicas por parte da União Europeia, que acusa o regime de violar direitos humanos. As sanções têm dificultado as exportações da substância para o mundo, o que poderá afetar, no futuro, o mercado. O cloreto de potássio tem função de vitamina para o solo brasileiro, equacionado a terra e a preparando para receber os fertilizantes, que funcionam como alimentos das plantas. É um nutriente delas.