[[legacy_image_90938]] A geada e a falta de chuvas no mês passado afetaram a produção de legumes e verduras, com a disparada dos preços em um mês. Dados do Índice do Preço ao Consumidor (IPC/Fipe) mostram que a abobrinha liderou a alta com 43,43%, na comparação da primeira semana deste mês com igual período de julho. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A boa notícia é que, segundo os especialistas, os preços devem recuar no próximo mês, com a expectativa de volta das chuvas e o tempo mais ameno. “Os produtos in natura estavam segurando bem os preços, no entanto, tivemos um mês de julho mais seco que o habitual e duas grandes ondas de frio intenso nas áreas produtoras do Interior do Estado”, afirma o coordenador do IPC, Guilherme Renato Caldo Moreira. De acordo com a pesquisa, os legumes em geral aumentaram 19,59% na primeira semana de agosto, comparada à primeira de julho. Além da abobrinha, outros itens tiveram índices de duas casas decimais. [[legacy_image_90939]] A vagem aumentou 30,62%, o pimentão, 24,77%, o tomate, 23,29%, e o chuchu, 21,16% (veja o infográfico). As verduras também seguiram o mesmo caminho, puxadas pela alta da couve, com aumento de 6,74% em um mês e a alface, com alta de 6,54%. Subiram, também, o brócolis (5,02%), o repolho (4,86%) e a couve-flor (3,6%). “As áreas produtoras foram muito afetadas, seja no produto perdido ou com qualidade menor”, afirma Moreira. A professora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Margarete Boteon, afirma que as perdas ainda não podem ser totalmente dimensionadas. “O dano não é só imediato no fruto, mas nos tubérculos que vão colher, bem como no vigor da planta, principalmente as frutíferas, no futuro. De imediato, as culturas mais afetadas são as mais sensíveis ao frio nessas regiões, como as folhosas”, diz. Ela diz, ainda, que a batata não foi tão afetada neste momento, mas deve sofrer o efeito na produção que será colhida em setembro e outubro, danificada pelo frio. Segundo Margarete, entre os produtos afetados pelo frio e tempo seco que já tiveram reação nos preços estão batata e folhosas - neste último caso, principalmente de São Paulo. Feira e supermercado A contadora Emília Araújo João, de 49 anos, percebeu o aumento dos preços. Ela diz que faz trocas pelos mais baratos ou procura as promoções. “Além dos legumes, verduras, tudo está mais caro. Veja a carne como está e em casa são quatro pessoas para almoçar e jantar”, diz. A comerciante Ana Lima, de 43 anos, pesquisa antes para tentar economizar no caixa. É a forma de driblar os preços altos. “Faço trocas, vou às feiras, barganho. Com relação às frutas, compro só as da época. Mas tudo aumentou. O leite e a carne estão demais”, afirma. A aposentada Neide Menescalco, de 64 anos, diz que sentiu demais os aumentos da alface, tomate e abobrinha. “Sempre compro, toda semana. O jeito é trocar, ver qual está mais barata. A gente precisar comer, né?” [[legacy_image_90940]] Carne bovina O aumento dos legumes e verduras devido ao impacto do frio se soma à disparada, há vários meses, dos preços dos outros alimentos que compõem a mesa do brasileiro. A contadora Emília Araújo João, por exemplo, afirmou que teve que trocar a carne pelo peixe fresco em muitos casos, além de outras opções, como ovos ou a lata de sardinha. A sensação nas gôndolas dos supermercados é reflexo dos números. As carnes bovinas acumulam alta, em 12 meses, de 36,66%. Reflexo da pandemia, a alta nos preços da carne bovina se junta à da suína, que subiu 27,77% nos últimos 12 meses. Já as aves aumentaram 32,87%. Como reflexo da demanda por serem procurados como alternativa, os peixes também ficaram mais caros – 16,31% em 12 meses. De acordo com o economista e coordenador do IPC/Fipe, Guilherme Renato Caldo Moreira, as carnes integram um grupo que é muito exportado. “As economias mais desenvolvidas estão saindo da pandemia e comprando mais, principalmente do Brasil, um dos maiores exportadores de carne e frango do mundo”. Segundo ele, a alta do dólar desvaloriza o real e torna os produtos brasileiros mais baratos e competitivos lá fora. No entanto, se por um lado o produtor exporta mais, o mercado interno acaba pagando a conta. “Os preços são ajustados no mercado interno, que compete com China, Índia, nossos compradores, e isso mantém o preço nas alturas”, diz. Para ele, quem sofre maior impacto são as classes pobres, pois comprometem parcela maior do salário com a alimentação. Somado a outros aumentos puxados pela inflação, o custo de vida fica bem mais caro. “Não há perspectiva, no momento, dos preços da carne baixarem. As condições atuais mantêm os preços mais altos”.