[[legacy_image_110562]] Os pedidos de carro zero nas concessionárias da Baixada Santista chegam a levar até 90 dias para serem entregues, segundo executivos do setor ouvidos por A Tribuna. Em alguns casos, há modelos com seis meses de prazo de entrega. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Há meses, a falta de componentes, principalmente semicondutores, afeta a entrega de veículos novos. São esses chips os responsáveis por interligações entre os diversos equipamentos elétricos dos carros. Por exemplo, o Onix, veículo mais vendido nos últimos seis anos, tem quase 1 mil desses chips em cada carro. “A entrega do novo só piorou. Todos os modelos têm espera de até seis meses. Quanto mais tecnológico o carro, pior”, avalia o diretor da Akta Motors, Gustavo Gotfryd. O empresário da concessionária, que trabalha com Kia e Peugeot, diz que os modelos 3008 e Carnival têm espera de seis meses para serem entregues. O diretor da Chevrolet Absoluta, Ney Roberto Faustini, afirma que a entrega tem sido de 60 dias, no entanto, a situação melhorou um pouco e ele já possui modelos com pronta entrega - o estoque passou de cinco a oito veículos em setembro para 25 neste mês. Ele diz que tem conseguido atender clientes com modelos mais populares, mas que 60% de seu estoque são de compras feitas no período entre 30 a 60 dias. Volta a 2020De acordo com divulgado ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção acumula 1.649 milhão de unidades de janeiro a setembro, número 24% maior que em 2020, principal ano da pandemia, quando foram fabricadas 1.33 milhão. O número, no entanto, está bem abaixo do patamar de 2019, um ano antes da crise de coronavírus, quando foram fabricados 2.259 milhões de carros. No mês passado, a produção foi de 173,3 mil veículos, queda de 21,3% em relação a setembro de 2020, quando foram feitos 220,2 mil carros. “É um desafio, já passei por muitas crises, mas essa crise e suas consequências tem trazidos muitos transtornos. Estamos em outubro e temos dificuldade em ter visão clara de como vai fechar o ano”, afirma o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. Além dos semicondutores, ele cita como dificuldades atrasos de fretes, falta de contêineres, voos cancelados, falta de insumos como papelão, alumínio, borracha - e aumento de custos de produção. FuturoMoraes explicou que o País deve terminar o ano em 2.129 milhão de unidades, o que significaria um “ruim” crescimento de 6% sobre 2020. “Há demanda ainda reprimida, negócios fechados aguardando entrega, então partimos da produção sem considerar mercado. Ano que vem há preocupação de juros e inflação que podem afetar em termos de volume. No primeiro semestre do ano que vem continua desafio de produção, oferta e logística, mas também nos preocuparemos com aspecto de poder de compra, juros e desemprego”, diz.