[[legacy_image_118697]] Por conta da pandemia, o número de transações imobiliárias de compra e venda aumentou 74% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2020, segundo dados inéditos obtidos por A Tribuna no Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), associação dos cartórios de notas paulistas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Foram 6.234 registros nos primeiros seis meses de 2020 contra 10.851 deste ano. De acordo com a associação, uma das hipóteses que podem explicar o fenômeno é a possibilidade do trabalho remoto, realidade que a pandemia trouxe para muitos funcionários e empresas. A escritura de compra e venda é o ato lavrado no cartório de notas onde uma das partes vende determinado bem imóvel para outra. De acordo com o Código Civil, o documento é obrigatório para a transferência de bens imóveis de valor superior a 30 salários mínimos. Quando há uma separação, o tipo de imóvel e se ele será comprado ou alugado vai depender da forma como o rompimento acontece, segundo especialistas do setor imobiliário. “Se for algo mais tempestivo, tende a ser o aluguel, mais imediato e que oferece essa rapidez na mudança. Caso o processo de separação ocorra em meses, com uma programação e condições financeiras, ambos partem para uma nova aquisição”, afirma o economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi), Celso Petrucci. De acordo com o corretor de imóveis Haroldo Tucci, se o casal não tem muito dinheiro, as coisas podem piorar, levando a permanecerem juntos por conveniência financeira. “Ou dependem da venda do único imóvel para dividir o patrimônio, o que muitas vezes é demorado pela baixa liquidez e porque o casal pede um valor acima do avaliado pelo mercado. Isso acontece porque, com a divisão dos bens, não terão dinheiro suficiente para comprar um outro apartamento, mesmo que seja menor”, diz ele. “Caso haja mais condição financeira, geralmente o marido compra um outro imóvel para a ex-esposa e assim fazem a divisão dos bens”, afirma. Percepção mistaDe acordo com Petrucci, essa movimentação aquece o mercado de imóveis na Capital, onde há grande oferta de estúdios, lofts e apartamentos de um dormitório. “Percebo como uma tendência”, diz. Segundo o diretor da Plano e Forma Empreendimentos Imobiliários, Antônio Manoel Lopes de Carvalho, é um mercado com peso importante, direcionado aos apartamentos compactos e serviços comuns em flats, como arrumação e lavanderia. Para Haroldo Tucci, no entanto, em Santos, esse mercado não se movimenta com tanta velocidade. “Principalmente nas classes mais baixas, pelas dificuldades e custos que uma separação impõe”, afirma.