[[legacy_image_165988]] Analistas de mercado esperam que a Selic, a taxa básica de juros, feche 2022 em até 14% ao ano. Com isso, investimentos em renda fixa tornam-se uma boa opção de proteção da carteira, segundo a analista de investimentos Paloma Pestana Ramos Chacao, head e sócia da Manchester Investimentos-XP Santos. Segundo ela, um dos desafios é tirar o investidor conservador da caderneta de poupança. “Muitos clientes ainda consideram a poupança como melhor opção por ser isenta de Imposto de Renda. Porém, há outras opções conservadoras também isentas, como LCIs e LCAs”. Paloma é graduada em Direito Financeiro pela Unisanta e MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atuando no mercado financeiro há mais de 20 anos. A seguir, ela fala sobre tendências e opções ao investidor. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Qual a melhor estratégia para quem tem ações e está de olho na segurança da renda fixa, com juros altos? A melhor estratégia é aquela adequada ao perfil do investidor. Em ciclos de alta de juros e volatilidade, como atualmente, os investimentos em renda fixa são mais defensivos e se tornam uma boa opção de proteção na carteira. Mas toda e qualquer movimentação deve ser analisada com muito critério, buscando o melhor momento e, de preferência, sempre acompanhada por um assessor de investimentos. Enquanto os juros da renda fixa sobem, a caderneta continua em 0,6% ao mês. Qual a alternativa mais segura e atraente para o investidor de poupança, mais conservador? Muitos clientes ainda consideram a poupança como melhor opção por ser isenta de Imposto de Renda. Porém, há outras opções conservadoras, também isentas, como LCIs e LCAs que atualmente oferecem uma rentabilidade superior à da poupança e contam com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que garante ao investidor até R\$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira. Além disso, há os títulos do Tesouro Direto, que são considerados os mais seguros do mercado e podem ser prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação. Diante do atual cenário e da alta da Selic, todas essas opções são mais rentáveis que a nossa conhecida poupança. Vale a pena investir em câmbio para aproveitar a queda? De acordo com o relatório Focus, a projeção do dólar para 2022 é de R\$ 5,30. Para a XP, R\$ 5,40. Ter uma carteira diversificada, com exposição cambial limitada ao perfil de cada cliente, pode ser uma boa opção para o caso dessas projeções se realizarem. O segmento de fundos imobiliários ainda vale a pena, considerando o atrativo da renda mensal? Os fundos de investimento imobiliários (FII) sofreram muito devido às restrições da pandemia, especialmente os do nicho de shoppings e lajes corporativas. Antes da pandemia, a vacância desses imóveis estava em torno de 15% e fechou 2021 em mais de 25%. Essa situação culminou em uma queda acentuada nos últimos 24 meses. Mas o mercado de FIIs está em recuperação e aquecido, muito devido aos fundos de papéis e ativos logísticos que possuem caráter mais defensivos, e aos dividendos pagos mensalmente. Portanto, os FIIs continuam sendo uma boa alternativa para quem tem perfil mais arrojado e quer investir a longo prazo, buscando remuneração mensal livre de Imposto de Renda. Qual a tendência dos juros básicos? Em 2022, a Selic poderá começar a cair? Não há previsão de um início de redução da Selic para este ano. A projeção via relatório Focus é da Selic encerrar 2022 em 13%. Alguns analistas do mercado já apostam em uma Selic ainda maior, podendo ultrapassar 14%. A projeção da XP para 2022 é de 13,7%. A redução da Selic dependerá muito do arrefecimento da inflação, mas deverá ter início somente no ano que vem. A guerra na Ucrânia trouxe risco de inflação e volatilidade na bolsa. E se a guerra acabar? O que pode acontecer? Depende do desfecho. Considerando o cenário de um desfecho mais pacífico, poderemos ter um mercado de commodities menos oscilante, principalmente nos produtos óleo e gás, e um reposicionamento das balanças de pagamentos (importações e exportações). Vale a pena comprar títulos prefixados agora? Títulos pré-fixados são uma boa opção parra proteger a carteira em um cenário de queda da taxa de juros. O difícil é acertar esse momento. O ideal é sempre ter uma carteira diversificada, incluindo prefixado, pós-fixados e opções de blindagem contra a inflação. Dessa forma, a carteira fica bem balanceada e protegida de diferentes cenários.