[[legacy_image_232461]] Com previsão de crescimento em 0,8% para 2023, a indústria brasileira deve ter mais avanços no segundo semestre, segundo especialistas no setor. Na Baixada Santista, os destaques serão os empregos no Porto de Santos e o crescimento da indústria química. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Os bens de consumo e os bens de capital terão dinâmicas diferentes no ano que vem, sendo o consumo mais favorável puxado pelas medidas de estímulo, como o Bolsa Família, e a desaceleração da alta na inflação”, afirma o economista especialista em indústria Felipe Novaes, da Tendências Consultoria. Ele diz que o poder de compra será beneficiado com os auxílios, sendo a inflação um condicionante importante. Setores da indústria como vestuário e alimentação serão beneficiados a partir do segundo semestre, já que os primeiros meses de 2023 devem sofrer com a “ressaca eleitoral” do novo governo. “Temos também uma previsão favorável para ocupação. O mercado de trabalho deve perder tração, mas segue numa dinâmica positiva de recuperação de empregos”, diz. Com isto, o setor de serviços poderá se beneficiar e se recuperar. “Vimos em 2022 uma relativa normalização, com a vacinação permitindo uma retomada mais consistente e que levou a reforçar a força de trabalho”, afirma. Ainda que os benefícios governamentais para o setor industrial sejam menores em 2023, os programas de transferência de renda defendidos pelo governo eleito, ainda que com risco político, são um “colchão” para o consumo de produtos básicos por parte das famílias mais pobres. Bens de capital Por outro lado, os investimentos em bens de capital devem sofrer muito mais, com destaque para uma desaceleração na frota de maquinário, principalmente caminhões. “O cenário de política fiscal deve ser mais frouxo com o novo governo eleito, o que deve frear os investimentos, principalmente porque ainda estamos em um cenário de juros elevados”, diz. Atualmente, a Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano. Felipe Novaes explica que essa alta taxa deixa os juros mais caros e a demanda do crédito diminui, forçando uma desaceleração nos investimentos privados. “Isso limita a propensão a investir”, emenda. Ainda que tenha havido dois anos com escassez de consumo, que deve melhorar no próximo ano, não será suficiente para balancear outros fatores. A normalização dos suprimentos globais prepondera para a melhora nos índices, entretanto, além de tudo, o mundo está em um cenário de maior recessão econômica e freio nos investimentos, o que torna o Brasil vulnerável em algumas áreas, como a agricultura, que é grande exportadora, segundo o especialista. Incentivos No último dia 13, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) apresentou algumas sugestões para incentivos ao setor. Entre elas, estão o aumento no prazo de recolhimento de impostos, uso de créditos de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), desoneração dos investimentos, redução do Custo Brasil, maior investimento em infraestrutura, melhorias na hidrovia Tietê-Paraná, aumento da rede de gasodutos, incentivos ao uso do biometano e ampliação e continuidade da digitalização dos serviços públicos, com o uso potencial da rede 5G. Porto e área química serão pilaresO diretor do Ciesp/Fiesp em Santos, Erik Sanches, destacou que o Porto de Santos e setor químico devem ajudar na recuperação industrial em 2023, na região. “O Porto de Santos vem quebrando recordes, mesmo com todo o cenário de eleições e Copa do Mundo. Foi recorde em geração de empregos e acumula lucro de 55% neste ano, equivalente a R\$ 455 milhões a mais que 2021”, diz. Segundo ele, as movimentações graças ao setor do agronegócio e o avanço considerável do setor químico devem se manter como tendências para puxar o crescimento no ano que vem. Ainda de acordo com Erik Sanches, as c arteiras assinadas na indústria neste ano foram 8.095, número superior às 7.749 do ano passado. “Em nível geral, por conta da guerra na Ucrânia, as maiores economias mundiais estão em processo de desaceleração, como China, Estados Unidos e a Zona do Euro. Entretanto, o Brasil sai na frente com resultados positivos”, afirma. Ele afirma que a maior potência brasileira é o agronegócio, que está surpreendendo. “Um estudo nosso da Fiesp aponta que nos próximos 10 a 15 anos o Brasil tem que produzir 40% a 50% a mais para alimentar o mundo. É um setor produtivo e uma locomotiva do País”.