[[legacy_image_323683]] Consumidores de azeite de oliva não ficaram nada satisfeitos com a alta do produto em 2023. Praticamente obrigatório em saladas e frutos do mar, teve alta de 37,76%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No Brasil, a produção de azeite atende só 1% do consumo, e o mercado externo é a única opção para atender a demanda. Isso faz do País o segundo maior importador de azeite, com 8% da produção mundial, ou 62 mil toneladas, atrás apenas dos Estados Unidos, que importa 35%, conforme o Conselho Oleícola Internacional. O reajuste no azeite consta nos dados Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) entre janeiro e 14 de dezembro. Empresária no ramo de importados, Maria Inês Figueira Santos comercializa azeites portugueses, gregos e chilenos, e conta que precisou segurar o estoque para manter o produto acessível por mais tempo. “Fomos obrigados a fazer um reajuste. Buscamos outras alternativas, marcas e precisamos manter a qualidade para os nossos clientes. E, para garantir isso, tivemos que diminuir nossas margens de lucro. O pessoal ficou bravo com a gente, mas não temos culpa.” Por exemplo, no começo do ano passado, uma marca tradicional era vendida a R\$ 24,99. Hoje, a até R\$ 40,99. Um problema, como diz a vendedora Bárbara Ireijo, que “só faço comida com azeite. Eu não uso óleo”. O operador de telecomunicação Peterson Lopes afirma que “o óleo composto está fora de questão, e substituímos (por azeite) por motivos de saúde mesmo. (...). Estamos trocando as marcas”. MotivosPara o economista Jorge Manuel de Souza Ferreira, as causas da alta são variadas: da influência climática, que desde 2022 afeta a Europa e compromete a produção de azeitonas, quanto a baixa valorização do real em relação ao dólar. “Só para ter uma referência, na Espanha, o azeite teve majoração de até 100%”, conta. As perspectivas não são positivas para um futuro breve. “O comportamento climático é realmente um desafio para as próximas gerações”. Porém, “o dólar tem oscilado com frequência, indicando que pode se estabilizar em patamar inferior à média dos últimos três anos. No entanto, só a pequena redução do dólar não é suficiente para compensar o elevado reajuste do azeite”.