[[legacy_image_292231]] Os fertilizantes mais limpos do mundo devem ser produzidos em Cubatão pela companhia norueguesa Yara, de acordo com o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, que participou ontem do Fórum Esfera, no Casa Grande Hotel, em Guarujá. Ele afirmou que o Brasil tem a capacidade de produzir os produtos da economia verde e de se tornar potência nesse segmento. “O País tem a matriz energética mais limpa, portanto pode ter a indústria mais limpa do mundo”, disse, em um dos painéis do fórum do Esfera Brasil, organização que reúne empresários para discutir o País. Segundo o economista, o grande desafio é o Brasil encontrar o “lugar dele” no mundo em desenvolvimento tecnológico e produtivo. “Usando biometano, a Yara vai produzir fertilizantes nitrogenados com a menor pegada de carbono no planeta. Isso está colocado para o Brasil, e a gente tem uma oportunidade única de usar essa vantagem comparativa brasileira energética para dar esse salto”, afirmou Gala. Se, por um lado, há oportunidades de crescimento para o país, por outro, falta ambição para aproveitá-las, de acordo com o empresário Abílio Diniz, que também integrou o painel. “Está faltando ambição. Será que o que queremos é crescer 2,5% ou 3%? No último ano do Governo Lula, em 2010, crescemos 7%. O presidente quer colocar os pobres no orçamento, mas como se coloca o pobre no orçamento sem crescimento?” “Temos total chance, perante o mundo, de crescer muito neste momento. Tem dinheiro de monte para fazer investimento. Nós precisamos atrair esse dinheiro para cá”. Campos NetoO presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou, netse sábado (26), no Fórum Esfera, que o objetivo da autarquia é fazer um pouso suave na economia brasileira. “Quero trazer a inflação para baixo com o menor custo possível para a sociedade”. Campos Neto detalhou que o objetivo é ter, dentro do possível, a menor queda do Produto Interno Bruto (PIB), a menor geração de desemprego e o mínimo de ruptura no canal de crédito. Ele defendeu que foram poucos países do mundo que conseguiram fazer o que o Brasil tem feito em termos de queda de inflação versus o quanto custou. O presidente do BC também comentou as surpresas recentes para cima com a inflação corrente. “Se pegarmos alimentação fora do domicílio e automóveis, dentro da parte de transportes, explica quase toda a surpresa”, disse Campos Neto, que relacionou o movimento de veículos ao subsídio temporário do Governo Federal às montadoras de carros. Ele afirmou que a convivência de diretores com um governo que não os indicou, assim como o oposto, é o primeiro grande teste da autonomia do BC. “Acho que isso é saudável”. Para ele, a mistura de novos e antigos diretores, disse, é saudável porque combina um conhecimento existente na casa com, às vezes, uma percepção de fora.