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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Criptomoedas geram atração, mas apresentam alto risco

Investimento tem alta volatilidade, inclusive com quedas; blockchain é principal vantagem, mas comprador deve tomar cuidados

Em um ano, a cotação do bitcoin, principal criptomoeda, subiu 37%, chegando a R$ 38.447,18 (dia 19). Ganhou fácil do dólar, que caiu 2,5%, mas passou raspando pela B3 (antiga Bovespa), que cresceu 35%.

O bitcoin seduz investidores atraídos pela sensação de que só dá saltos incríveis. Porém, uma criptomoeda (o bitcoin é uma delas) não tem custos e dá segurança às transações. 
Essas divisas utilizam códigos virtuais difíceis de serem invadidos e que são convertidos em valores do mundo real.

O meio tecnológico é o blockchain, que descentraliza as informações sobre os usuários, o que amplia a segurança – todos são testemunhas de cada operação. Essa autofiscalização dispensa regulador externo, como um banco central. 

A sensação de ganho fácil pode elevar os riscos. No ano passado o bitcoin despencou e neste início de mês também, quando os bancos centrais começaram a falar em regulação devido à libra do Facebook. 
O fundador da Bitcointrade, corretora com cinco criptomoedas, Daniel Coquieri, diz que em caso de fraude o investidor terá que se defender pelo Código do Consumidor e ir à Justiça. 

Esse mercado não é regulado, sem o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Conforme a Bitcointrade, relatório da Chainalysis, especializada em blockchain, aponta que os bitcoins em mercados ilegais chegam a US$ 1 bilhão. É uma pequena parte de US$ 350 bi que giram em todas criptomoedas, diz Coquieri. 

Esse total, lembra ele, não supera o movimento individual de bolsas de valores. Por isso, quando há uma grande transação, a cotação da moeda tende a subir ou cair muito. 

Segundo Coquieri, a corretora pesquisa o CPF do investidor na Receita Federal, cobra a origem lícita do recurso e reporta transações elevadas ao Coaf, órgão que fiscaliza movimentações atípicas de recursos por servidores públicos. 


Mercado desconhecido

Conforme estudo da empresa de segurança virtual Kapersky, apenas 13% dos brasileiros compreendem o que é uma criptomoeda. A solução é ler muito sobre o tema, alerta Coquieri, e checar dados dos donos das corretoras. 

Também se deve evitar fundos que garantem rentabilidade e arregimentam investidores por meio de associações, em formato parecido ao de pirâmide. “Fuja. Às vezes não têm bitcoin, fingem e nem compram”. 

Para comprar criptomoeda, bastam R$ 50. Porém, se não conhece esse mercado, entre aos poucos, tal como em qualquer investimento financeiro.

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