[[legacy_image_173667]] Com o novo valor da taxa básica de juros (Selic), anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o crédito vai se tornar mais caro, afetando o bolso dos brasileiros, que já sofrem com uma inflação na casa dos dois dígitos. O Copom decidiu elevar a taxa de 11,75% ao ano para 12,75%. Esse é o mais longo ciclo de aperto monetário sem interrupção da história do comitê, após dez aumentos seguidos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A nova alta contribui para que o dinheiro fique mais caro no País. Contratar um empréstimo pessoal parcelado, fazer um financiamento ou utilizar o limite do cheque especial e até mesmo parcelar a fatura do cartão de crédito são ações desfavoráveis e que acabam impactando mais o bolso do brasileiro no momento”, afirma a economista da RV4 Investimentos, Luciana Ikedo. Com o aumento a 12,75%, a Selic alcançou o maior patamar desde fevereiro de 2017, quando estava em 13% ao ano. O choque de juros neste ciclo, iniciado em março de 2021, já é o mais forte desde 1999, quando o BC elevou a Selic em 20 pontos percentuais de uma vez só. O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos. A decisão de ontem era esperada pelo mercado financeiro, após o BC sinalizar na reunião do Copom de março a vontade de repetir a dose de um ponto porcentual no encontro seguinte. Apesar de baixa em comparação com a Selic, a taxa americana tende a subir neste ano, uma vez que o Fed ainda está no início do ciclo de aperto monetário. Os EUA, assim como o Brasil, enfrentam uma inflação elevada e o BC americano busca frear a alta de preços elevando os juros. É uma forma de esfriar a demanda na economia, uma vez que a alta de juros torna o crédito mais caro. Com taxas mais elevadas, consumidores tendem a consumir menos e as empresas podem postergar investimentos. Maior do mundoCom o novo aumento da Selic, o Brasil voltou a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 6,69% ao ano. Em segundo lugar na lista que considera economias mais relevantes aparece a Colômbia (3,86%), seguida de México (3,59%). A média dos 40 países avaliados é de -1,73%.