[[legacy_image_86517]] Depois da taxa Selic subir de 2,25% em agosto de 2020 para os atuais 4,25% ao ano, alguns bancos elevaram suas taxas do crédito imobiliário. Apesar disto, analistas dizem que ainda é um bom momento para financiar a casa própria. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ainda assim, há instituições que não acompanharam essa alta de dois pontos percentuais da taxa básica de juros e reduziram seus índices na comparação com o ano passado. “O imóvel usado está forte, vendendo bem e acaba levando também os novos. As perspectivas entre agosto e dezembro são ótimos”, afirma o diretor do Sindicato da Habitação (Secovi) na Baixada Santista, Carlos Meschini. Para a economista e presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Cristiane Portela, a valorização do imóvel causada pela pandemia permanece. “Seja para trabalhar ou por lazer, o home office trouxe peso na avaliação dos consumidores em suas casas”, diz. As taxas de juros cobradas pelos bancos públicos e privados tiveram oscilações positivas e negativas. A Caixa, maior financiadora da casa própria no País, com 68,5% do mercado, subiu suas taxas e lançou novos produtos. A linha com recursos SBPE (poupança) cresceu meio ponto percentual, passando de 6,5% ao ano mais Taxa Referencial (TR) em julho do ano passado para 7% neste ano (a TR está zerada). Seguindo a tendência dos bancos privados, a Caixa lançou uma linha referenciada pelo rendimento da poupança. As taxas de juros são compostas de variação do índice da Poupança somada a uma parte fixa que varia de 3,35% a 3,99% ao ano, com um teto caso o rendimento da poupança suba (veja quadro). Há, ainda, uma linha com taxa de juros fixa durante todo o financiamento, variando de 8,25% a 9,75% ao ano. Entre os privados, o Santander subiu em um ponto percentual os juros da casa própria, passando de 6,99% ao ano em 2020 para 7,99% agora. Em ambos os casos, os prazos são de até 35 anos. O Itaú registrou queda de 0,4 ponto na taxa pela TR neste mês, comparada ao mesmo período do ano passado – foi de 7,3% ao ano para 6,9% mais TR. O Banco do Brasil seguiu o mesmo caminho e reduziu a taxa de 6,59% ao ano mais TR em 2020 para 6,29% agora em 2021. O prazo de pagamento é de 30 anos. Mercado perene “Os juros continuam atraentes, ainda que haja uma perspectiva de subida”, diz o diretor regional do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo, Lucas Teixeira. Segundo o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, a retomada acontece aos poucos e a vacinação surte efeito. “As pessoas ficam mais esperançosas e vão retomando a vida. É como reaprender a pedalar”. Bancos inovam após ação do BC Na próxima quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve subir em um ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic, segundo previsões do mercado. Para o diretor regional do Secovi, Carlos Meschini, a alta da Selic influencia os financiamentos imobiliários e pressiona os bancos, com isso surgem novos produtos. “A taxa pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou totalmente inviável”, afirma ele, citando o produto lançado pela Caixa com índice fixo atrelado à inflação. Em julho do ano passado, A Tribuna publicou que os juros da linha estavam em 4,12%, em um cenário de inflação a 2,13%. Os mesmos números com dados de julho deste ano elevaram a taxa da Caixa para 11,19%, segundo pesquisa do Banco Central - o IPCA atingiu 8,35% no acumulado de 12 meses em junho. Segundo a presidente da Abecip, Cristiane Portela, a Selic deve fechar o ano em 6,75%. Taxa da poupança Produtos atrelados à taxa da poupança são uma alternativa à alta de outros indexadores, como o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) e o Geral de Preços ao Mercado (IGP-M). “Os insumos subiram e a casa própria foi valorizada na pandemia. Os mercados pressionam os bancos, que precisam de alternativas”, diz Meschini. Cristiane afirma que mesmo na linha atrelada à poupança, há um teto de 6,17% que pode elevar a taxa do financiamento a pouco mais de 10%. “Mesmo assim, ainda são as melhores taxas que o País teve. Em 2017, a Selic estava em 11% ao ano”, afirma ela. A presidente da Abecip explica que a curva de juros futuros, que também vai impactar os financiamentos daqui para frente, aponta para alta da Selic para 8,1% ao ano em cinco anos e 9,3% ao ano em dez. “Mesmo a taxa subindo um pouco, é favorável”. Ela avalia que o “grosso do mercado” atua com juros médios de 7% mais TR, que está zerada – e a chance da TR sair de zero é “quase nula”, diz. Vantagem pelo IPCA “O IPCA, por exemplo, tem vantagem porque a primeira prestação fica bem mais barata, mas a pessoa tem que ser muito bem orientada. Para alguém em ascensão profissional, que precisa guardar recursos e quer pagar menos agora, o IPCA faz sentido”, diz.