[[legacy_image_210255]] Embora já reconhecesse e apoiasse o empreendedorismo feminino com o Prêmio Mulher de Negócios e ações de consultoria, o Sebrae lançou programa para fomentar as empresárias, principalmente as que estão em vulnerabilidade social. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Trata-se do programa Sebrae Delas, que vai oferecer capacitação e gestão e que possui três eixos: eu, meu, nós. O primeiro (eu) é voltado ao desenvolvimento pessoal, o segundo (meu), destinado ao negócio, e o terceiro (nós), ao universo feminino como um todo. “Já atuamos com o empreendedorismo feminino há anos, através do prêmio, entretanto, percebemos peculiaridades que precisavam ser exploradas”, afirma a consultora de negócios do Sebrae na Baixada Santista, Patrícia Ovalle. Ela cita como fatores a questão da mulher se dedicar mais à capacitação, o estímulo dessa formação em suas equipes e o olhar diferenciado com relação à gestão de pessoas. Só que, por outro lado, elas possuem menos acesso a linhas de crédito junto aos bancos tradicionais e também às fintechs – startups de finanças e crédito –, além de ainda ganharem menos. Entre os empreendedores brasileiros, uma mulher fatura, em média, R\$ 2.305, enquanto um homem ganha R\$ 2.749 (ela recebe 16,2% a menos). Se a empreendedora for negra, a diferença é maior: o rendimento médio é de R\$ 1.539 (44% a menos do que um homem branco). Os dados são do estudo do Sebrae Empreendedorismo por raça-cor/gênero no Brasil, do ano passado. De acordo com Patrícia, esses pontos, somados a um desafio do Ministério Público paulista de trabalhar com mulheres que haviam sofrido uma agressão e aquelas que são arrimo de família, com filhos, fizeram o Sebrae pensar em algo mais pontual, com linguagem específica. “Hoje, o programa existe em nível nacional, trabalha com mulheres em vulnerabilidade social ou vindas de ONGs. Trabalhamos a inteligência emocional”, diz. A consultora explica que, muitas vezes, essas mulheres já empreendem, vendem bolos, artesanato, mas enxergam isso como “bico”. “Elas não se enxergam empreendedoras, protagonistas das suas próprias histórias. Nós trazemos essas mulheres, as empoderamos, levamos à capacitação, para depois entrar no tema gestão”, afirma. Diferenças Hoje, segundo Patrícia, a mulher exerce papel fundamental no desempenho do negócio, porque ela agrega valor a ele. “As mulheres têm visão de planejamento, uma dificuldade grande na maioria dos negócios do mercado”, diz. A consultora explica que esse olhar 360° as diferencia, porque assim elas conseguem olhar toda a cadeia produtiva em que o negócio tem ação. “A mulher tem escuta ativa. E não precisa ser algo a mais que a outra mulher. Ela se identifica com ela, escuta e acolhe”.