[[legacy_image_63136]] Reabastecer o mercado de insumos é a prioridade para um reequilíbrio nos custos da construção, diz José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ele participou de webinar com empresários do setor, promovido por A Tribuna na sexta-feira. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O Índice Nacional da Construção (INCC-DI), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de 11% em 12 meses, até fevereiro deste ano. Martins explica que o problema é mundial. O aumento exagerado em insumos foi tema de uma pesquisa internacional com incorporadores. O presidente da CBIC cita que, para 62% deles, os principais problemas eram o desabastecimento o aumento de preços dos materiais. “Nós tivemos uma conversa com as siderúrgicas, em outubro do ano passado, onde já se previa um reequilíbrio no começo do ano, o que não aconteceu”, diz. A Tribuna mostrou, em novembro, que o aumento de insumos e a busca por materiais foram sentidos na região, levando a atrasos na entrega de produtos de diversos tipos. O home office puxou reformas no lar, o que elevou os preços de materiais. “Na pandemia, a atividade produtiva parou. Na insegurança, as empresas venderam seu estoque, tanto de matéria-prima para fazer produto quanto de estoque. O aço reduziu seu volume de sucata, minério. A construtora reduziu estoque na obra, pela incerteza. É preferível um período incerto com dinheiro no bolso”, avalia. Segundo ele, com a demanda em alta e a desorganização no mercado, foi preciso pressionar as siderúrgicas para garantirem materiais no fim do ano, com preços flutuando apenas pelo dólar — outro problema, na visão dele. “O dólar valorizou muito e real desvalorizou. O ano começou e o cenário não mudou porque, se o mundo tem prolema, o Brasil tem sempre um plus, que são as confusões políticas, que geram insegurança”, diz. Reajuste José Carlos Martins comenta que o setor já estuda reajustes de contratos antes de 12 meses. “Temos que atuar na causa, no preço. E em como realimentar o mercado, para diminuir essa pressão dos aumentos. E a outra questão é reequilibrar os contratos em andamento para que diminua o risco de as empresas terem problemas”, afirma. Ele cita como exemplo a construção de conjuntos populares, como os do Casa Verde e Amarela, que, segundo eles, têm grande volume e margem de lucro pequena. E “o INCC inclui mão de obra. É um problema gravíssimo”. Martins avisa que essa questão chega a Brasília. Segundo ele, o Ministério do Desenvolvimento mantém R\$ 175 bilhões em contratos em andamento no País. “Eu tive uma reunião com a equipe econômica (do Governo Federal) e falei: vocês vão pagar R\$ 20 bilhões a mais por essas obras (devido ao INCC), é metade do custo com auxílio emergencial.” O presidente da CBIC afirma que, na visão da entidade, o momento de é ficar “zero a zero” em oferta e demanda. Assim, os preços se reequilibram. “Deveria um tratamento emergencial no período para que a gente pudesse repor estoques.”