[[legacy_image_88329]] Com a alta da taxa básica de juros, a Selic, para 5,25% ao ano, divulgada pelo Banco Central, a caderneta de poupança passa a render 3,675% ao ano, ainda perdendo feio para a inflação, acumulada em 8,35% em 12 meses até junho. Para diminuir essa diferença, o investidor mais conservador deve procurar outros produtos da renda fixa, como o Tesouro Direto e os títulos de CDB com rentabilidade de pelo menos 100% do CDI. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O CDI é a taxa dos empréstimos feitos entre os bancos, que normalmente fica 0,10 ponto percentual abaixo da Selic. Segundo o professor de Finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Ricardo Humberto Rocha, há opções de títulos públicos que ganham da inflação, porém, estes são para médio e longo prazos. Aqueles que buscam rápida liquidez, como uma reserva de emergência, podem optar pelo Tesouro Selic, também títulos públicos do governo, mas atrelados à taxa Selic. “A reserva independe do perfil do investidor, seja conservador ou agressivo. Nesse caso, o que vale é o saque rápido e o baixo risco”, afirma Rocha. O professor explica que a reserva é aquele valor que você gasta por mês para pagar as contas básicas, multiplicado por seis a 18 meses, que é o período do seu “banco” pessoal. Rocha dá o exemplo de um trabalhador que gasta R\$ 2 mil por mês para pagar as contas – a reserva de emergência será de R\$ 12 mil no mínimo. Caso deixe guardado esse valor no Tesouro Selic, em um ano seriam R\$ 12.852,88, rendimento de R\$ 852,88 já com desconto do Imposto de Renda (veja o infográfico). A poupança, por outro lado, teria rendido R\$ 587,93 no mesmo período – R\$ 264,95 a menos que pelo Tesouro Selic. [[legacy_image_88330]] Os investimentos em renda fixa vão variar de acordo com as ambições dos investidores. Para aposentadoria, compra de bens duráveis, como carro ou casa, e outros sonhos mais distantes, ele recomenda títulos atrelados ao IPCA, tanto o Tesouro Direto quanto o CDB. “No caso do CDB, não vale a pena investir naqueles que ofereçam menos de 100% do CDI, que são mais comuns em bancos tradicionais”, diz o professor. O CDB é o certificado de depósito bancário, é como se o investidor emprestasse dinheiro para o banco e ele devolve esse empréstimo com juros. Para valer a pena, ensina Rocha, é preciso que eles ganhem da inflação. “Nesse aspecto, CDBs e Tesouros ligados ao IPCA saem ganhando. Mas não é para mexer no dinheiro, é para guardar”, completa. Efeito do ipca O professor ensina que, no longo prazo, o risco de flutuação pela inflação é muito grande, como no momento atual. Por isso, é preciso ter uma rentabilidade ligada ao IPCA para não perder dinheiro. Se os juros básicos subirem demais, próximos a 10% ao mês, por exemplo, pode ser que alguns títulos prefixados, ou seja, com uma taxa definida na hora do investimentos, valham a pena. Ele ainda dá outra dica. “Também vale a pena verificar CDBs de bancos privados menores, fintechs. Normalmente, eles pagam melhor do que os bancos tradicionais”. Nesses casos, Rocha diz que sempre é preciso verificar se esses CDBs possuem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que vai ressarcir o investidor em caso de quebra do banco. O FGC paga até R\$ 250 mil por CPF caso aquele banco dê um calote. Mas é preciso ficar atento e pesquisar a instituição para ver se o título comprado tem cobertura do FGC.