[[legacy_image_83693]] O aumento de preço do carro usado, causado pela escassez do zero Km, fez o consumidor mudar de estratégia para trocar de veículo, como procurar modelos mais populares ou com mais anos de uso. Segundo comerciantes da região ouvidos por A Tribuna, o consumidor continua comprando, mas troca modelo e até aceita voltar alguns anos já que o zero não atende o mercado. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! No mês passado, empresários do setor na Baixada Santista relataram até três meses para entrega de carros novos. O vilão é o atraso na produção de semicondutores, chips que transmitem corrente elétrica para várias partes do carro. As fábricas de autopeças atrasaram as entregas às montadoras, que tiveram alta de demanda acima do esperado no fim do ano passado. “O cliente tem diversificado. Não por escolha, mas por necessidade”, afirma o sócio da Larte Automóveis Jairo Leal. Ele afirma que clientes que possuíam carros a gasolina aproveitaram para trocar por modelos a diesel. Também houve os que trocaram de marca na mesma categoria. Com a falta do seminovo, os preços na tabela Fipe, que avalia preços médios de usados, disparou. Ele cita o exemplo de um modelo de 2009, que até três meses atrás custava R\$ 35 mil e hoje está R\$ 42 mil no índice, aumento de 20%. O dado é exatamente reflexo do que aconteceu, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No acumulado de 12 meses, o preço do usado aumentou 20,83%. Para o proprietário da Doin Motors, Christian Doin, o público não parou de comprar. Ele cita a busca por populares e SUVs como campeões de vendas. “O seminovo com até três anos de uso tem vendido bastante, mas não acredito que seja uma migração do cliente que não encontra zero”, afirma ele. O proprietário da Carmax, Marcelo Antonio Marcelino, diz que também teve muita busca pelo popular ou SUV. No entanto, também vendeu muito zero por ter feito uma reserva maior. “Nosso cliente, apesar de também vendermos pela internet, é muito regional. E o perfil do cliente da Baixada Santista é desses dois modelos”. Futuro Segundo os proprietários, a situação deve permanecer ainda pelo menos neste ano. Leal diz que tem medo de que, com o retorno das atividades nas fabricantes, possa ocorrer um boom de novos e queda na demanda, causando algo semelhante a 2008, quando a crise derrubou as venda dos usados. Doin não acredita, porém, que os preços devam cair por conta disto. “Acho que o mercado já absorveu e dificilmente os preços dos usados vai baixar aos níveis pré-pandemia”, avalia.